COMBONI THAT DAY

Ainda a morte trágica das missionárias Luísa e Josefina

Segunda-feira, 3 de julho de 2017
A Irmã Nilma do Carmo de Jesus, Superiora Provincial das Irmãs Missionárias Combonianas do Brasil, manifesta a sua tristeza e angústia na sequência do trágico acidente que vitimou as irmãs Luísa Manuel e Josefina Lupo, missionárias no meio do Povo de Santo Antônio do Matupi, na Amazônia brasileira. “Morreram no caminho, na missão, na longa transamazônica, indo de uma comunidade a outra, para o anúncio da Palavra de Deus, naquela manhã do sábado de 24/06 /2017. Como os discípulos de Jesus iam ‘dois a dois’, também elas, as jovens missionárias, num testemunho de unidade e comunhão, de fé e vida partilhada, iam juntas, atentas ao sonho de Comboni de ‘fazer causa comum com os mais pobres’. Era naquele povo, no qual elas estavam situadas geográfica, social e teologicamente que buscavam o sonho de Deus: o mundo novo, mundo de irmãos, o reino partilhado.”

Carta da Irmã Nilma do Carmo de Jesus
Superiora Provincial das Irmãs Missionárias Combonianas
A todo o povo de Deus da Diocese de Humaitá
De modo particular ao povo da Paróquia Santa Luzia
Santo Antônio do Matupi

Somente hoje e com o coração profundamente dolorido, que lhes escrevo.

É do conhecimento de todos a tristeza e a angústia com a qual vivemos estes dias como Família Religiosa e como Igreja de Humaitá, com a morte trágica das nossas duas irmãs: Luísa Manuel e Josefina Lupo, missionárias no meio do Povo de Santo Antônio do Matupi, na Amazônia.

Morreram no “caminho”, na missão, na longa transamazônica, indo de uma comunidade a outra, para o anúncio da Palavra de Deus, naquela manhã do sábado de 24/06 /2017.

Como os discípulos de Jesus iam “ dois a dois”, também elas, as jovens missionárias, num testemunho de unidade e comunhão, de fé e vida partilhada, iam juntas, atentas ao sonho de Comboni de “fazer causa comum com os mais pobres”. Era naquele povo, no qual elas estavam situadas geográfica, social e teologicamente que buscavam o sonho de Deus: o mundo novo, mundo de irmãos, o reino partilhado.

Como seguidoras do Mestre: “a vida não lhes foi tirada foi entregue”. Elas entregaram a sua vida no ardor da sua juventude, na solidariedade com o povo, no Continente Latino Americano. Luísa vinha da África, particularmente do Moçambique e Josefina da Europa, do sul da Itália. O que Deus quer dizer para nós? Qual o grito que deve ser escutado? Vivemos num mundo ferido, dividido, marcado por fronteiras, com mais sombras do que luzes e morrem no Brasil, no coraçao da Amazônia, pulmão do mundo duas missionárias de dois Continentes diferentes. África, Europa e América se encontram num abraço eterno. Escutemos o grito: Outro mundo é possível.

Deixo aqui o meu apelo a todos os jovens: do Matupi, de Humaitá, da Amazônia, do Brasil e do mundo: Luísa e Josefina “estão mortas, porém vivas”. Vivas em vocês. Toca a vocês ocuparem o lugar que elas deixaram para continuar a missão de Jesus para a qual elas viveram: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude” (Jo10,18).

Finalmente, quero dirigir-me às minhas Irmãs da comunidade de Santo Antônio do Matupi , da comunidade de Porto Velho e a toda a Província das Missionárias Combonianas do Brasil e recordar-lhes a palavra da nossa primeira Superiora Geral após a morte de Comboni: “Coragem pelo presente, mas sobretudo para o futuro”.

Através de Maria, primeira missionária, invoco a Deus Pai e Mãe, que nos abençoe e que continue a abençoar a nossa Igreja para que seja sempre mais Sem Fronteiras.
Meu abraço.

Nilma do Carmo de Jesus
S. Paulo, 30 de Junho 2017