Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
A riqueza mundial aumenta nas mãos de 1 por cento da população, mas os pobres não diminuem. Pelo contrário, aumentam as desigualdades. É o que se constata na oitava edição do Relatório da Riqueza Global 2017 (do inglês Global Wealth Report) do Instituto de Pesquisa do banco Credit Suisse (Credit Suisse Research Institute) que acaba de ser divulgado. O estudo anual do banco aponta para uma subida do número de milionários em Portugal, de 61 mil no ano passado para 68 mil em 2017, um número que deverá subir para 77 mil até 2022. Segundo o Relatório, a riqueza do planeta está cada vez mais concentrada nas mãos de 1 por cento da população mundial, enquanto 70 por cento dos habitantes do mundo permanecem pobres. A riqueza global retomou o seu crescimento e é de 6,4 por cento maior do que em 2016, o que significa que é 27 por cento superior aos níveis anteriores à crise, mas está concentrada nas mãos de 4,8 milhões de pessoas, em apenas 200 países, e consta, hoje, de 280 triliões de dólares, ou seja, um aumento de 16,7 triliões em relação a 2016. O Global Wealth Index do banco Credit Suisse não diz nada de novo, mas revela-nos a iniquidade do mundo, muito perigosa, de acordo com a Fundação Finança Ética (Ethical Finance Foundation) que divulga o relatório.

Portugal é um país de bilionários,
aponta estudo do banco Credit Suisse

O estudo anual do banco Credit Suisse aponta para uma subida do número de milionários no país, de 61 mil no ano passado para 68 mil em 2017, um número que deverá subir para 77 mil até 2022. “Na edição deste ano do Global Wealth. Report do Credit Suisse Research Institute, exploramos as perspetivas de riqueza da geração Millennial, que surge de um período mais desafiante em relação aos seus antecessores”, diz Urs Rohner, presidente do Credit Suisse.

Há cada vez mais milionários a viver em Portugal. Esta é uma das conclusões do Global Wealth Report. As tabelas que serviram de base para o relatório mostram que Portugal tem quase tantos milionários quanto a Arábia Saudita (68 mil contra 69 mil na Arábia Saudita, país que tem o triplo da população portuguesa). A Grécia, outro exemplo, tem mais milionários do que Portugal: 88 mil, contra os 78 mil do ano passado. O país com mais milionários continua a ser, de longe, os EUA, que superou a fasquia dos 15 milhões de milionários e deverá ter quase 18 milhões – 17.784 – em 2022.

A lista é encabeçada, além dos EUA, pelo Japão (2,693 milhões), o Reino Unido (2,189 milhões), a Alemanha (1,959 milhões) e a China (1,953 milhões). Em Espanha há 428 mil milionários, um número que também cresceu de forma brusca, já que no ano passado havia 370 mil milionários, definidos como pessoas com património equivalente a um milhão de dólares ou mais.

Portugal é um dos três países europeus onde cada pessoa tem um património médio inferior ao equivalente a 100 mil dólares. Ainda assim, a riqueza em Portugal está avaliada em 750 mil milhões de dólares, tendo subido face aos 701 mil milhões no ano anterior.

O Credit Suisse diz que 10 anos após o início da crise financeira global, a riqueza global cresceu 27 por cento. Nos 12 meses até meados de 2017, a riqueza global cresceu a um ritmo mais acelerado do que nos últimos anos, com a riqueza média por adulto a atingir um novo recorde, afirma o banco suíço. Uma década após o início da crise financeira global, vemos um aumento significativo da riqueza em todas as regiões do mundo. No nosso mercado doméstico, a Suíça, a riqueza por adulto aumentou mais de 40 por cento nesse período, e o país continua a liderar os rankings globais. Na edição deste ano do Global Wealth Report do Credit Suisse Research Institute, exploramos as perspetivas de riqueza da geração Millennial, que surge de um período mais desafiante em relação aos seus antecessores”, diz Urs Rohner, presidente do Credit Suisse Research Institute e presidente do conselho de administração do grupo Credit Suisse.

Apenas no último ano, a riqueza global aumentou 6,4% e atingiu 280 biliões de dólares, um aumento de 16,7 biliões de dólares. Este é um resultado de ganhos generalizados nos mercados de ações, bem como valorizações em ativos não financeiros – como imóveis –, que pela primeira vez neste ano ultrapassaram o nível de 2007, antes da crise. O Credit Suisse diz que a riqueza média global por adulto cresceu 4,9%, atingindo um novo recorde de 56.540 dólares por adulto.

O relatório deste ano centra-se na geração Millennial e nas suas perspetivas de acumulação de riqueza. Em geral, os dados apontam para uma desvantagem desta geração, abrangendo dados como condições mais exigentes no crédito à habitação, aumento dos preços das casas, aumento da desigualdade e menor mobilidade de rendimento. O estudo nota um aumento do número de bilionários com menos de 30 anos de idade e um cenário mais positivo na China e em outros mercados emergentes.
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