Domingo, 24 de Fevereiro de 2019
A Senhora de Fátima visitou Manchester, uma grande cidade no noroeste da Inglaterra. Gostei muito da visita da Mãe, como gosto sempre muito de a visitar no Altar do Mundo. Mãe que é Mãe gosta de ir ao encontro dos filhos, onde quer que eles se encontrem. Quer saber como eles estão, quer apoiá-los, quer cantar com as suas alegrias e chorar nas suas dores. O seu colo é sempre um porto de abrigo para todas as horas.

Gostei muito da visita da Senhora de Fátima Peregrina. A força da sua mensagem, assente nos valores evangélicos da conversão e da paz, ganha cada vez mais lugar e expressão. A catedral de Salford, em Manchester, encheu-se de gente, diversas vezes, nestes dias 23 e 24 de Fevereiro. O momento mais lusófono foi a Eucaristia de sábado à tarde, presidida pelo P. Carlos Gabriel, coordenador da pastoral das comunidades lusófonas no Reino Unido. Ali rezou-se e cantou-se em português, com muitos rostos banhados por lágrimas de alegria ou de esperança em tempos melhores. Nota-se na comunidade lusófona alguma angústia à medida que nos aproximamos do dia da saída definitiva do Reino Unido da União Europeia, o tão badalado Brexit. Ninguém sabe ao certo como vai ser o dia seguinte e muitas pessoas também colocaram este Brexit nas mãos da Mãe.

A visita da Mãe de Fátima Peregrina fez-me revisitar os textos bíblicos em que Maria aparece: sempre a caminho. Não é mulher para ficar apenas por casa. Qualquer situação que precise da sua presença é razão suficiente para deixar tudo e partir. Assim foi para visitar a Prima Isabel que precisava da sua ajuda: e nasceu o Magnificat! Assim foi para acompanhar José a Belém: e aconteceu Natal! Assim foi quando era importante apresentar o Filho no Templo. Assim foi quando precisou de lá voltar nos 12 anos do Menino. Assim foi nas Bodas de Caná: e aconteceu o milagre do novo Vinho! Assim aconteceu quando lhe chegaram notícias de que o Filho andaria um pouco desmazelado nos seus cuidados de comer e descansar! Assim foi quando o Filho carregou a Cruz e morreu no Calvário: e declarou-se como a Mãe Pietà! Assim aconteceria na manhã de Pentecostes no Cenáculo: e, com ela, nasceu a Igreja! Sempre a caminho, seguindo os passos do Filho ou abrindo-lhe caminhos novos! Assim são as mães, assim é a nossa Mãe de Fátima ainda hoje, percorrendo os caminhos dos seus filhos.

Foi a primeira vez que recebi a visita da Mãe Peregrina. Até agora, e dezenas de vezes, fui visita-la a casa, lá no Santuário de Fátima. Mas senti-me bem neste novo estatuto de visitado, de abraçado. Quando estamos longe, ficamos muitos felizes quando gente querida nos aparece em casa. Foi o caso. Revi a força da sua presença e a atualidade dos seus desafios. Sim, precisamos de paz que é fruto da justiça e de compromissos de vida sérios e responsáveis. É urgente criar mais espírito de família, de fraternidade e a Mãe é sempre um pilar sólido na comunhão familiar.

Quando regressar a Portugal, em Agosto, vou passar um mês inteiro em Fátima. Vou retribuir a visita e vou beber, mais uma vez, daquela fonte de paz que torna este santuário português no Altar do Mundo.

Obrigado, Mãe!
Tony Neves
Missionário espiritano

Vista da catedral de Salford, em Manchester.