“Não deixemos que o Brasil caminhe na contramão da história”, conclama a Articulação Comboniana de Direitos Humanos

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Quinta-feira, 2 de maio de 2019
“Contra toda pauta de integracionismo, os indígenas do Brasil mostram que sabem como proteger a terra, defender o futuro de nosso País, garantir a pluralidade cultural e conviver com os biomas, em especial a Amazônia, hoje gravemente ameaçada pelo extrativismo”, escreve a Articulação Comboniana de Direitos Humanos em nota de apoio ao acampamento indígena Terra Livre. Eis a nota.

A Articulação Comboniana de Direitos Humanos solidariza-se, nestes importantes dias de manifestação e reivindicação, com o Acampamento Terra Livre, que reúne milhares de representantes dos povos indígenas do Brasil na Esplanada dos Ministérios.

Há mais de 15 anos, durante o mês de abril, os povos indígenas afirmam seu protagonismo e denunciam que a Constituição Federal ainda não está sendo respeitada, no que tange à garantia e promoção dos direitos dos povos nativos.

O ato é autoconvocado, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. No ano passado, estes povos elegeram uma Deputada Federal, Joênia Wapichana, de Roraima; também houve candidatura de Sônia Guajajara à vice-presidência do País.

Contra toda pauta de integracionismo, os indígenas do Brasil mostram que sabem como proteger a terra, defender o futuro de nosso País, garantir a pluralidade cultural e conviver com os biomas, em especial a Amazônia, hoje gravemente ameaçada pelo extrativismo.

O Governo, nestes poucos meses de seu mandato, explicitou a negação do direito à terra dos povos indígenas, desestruturou a FUNAI, facilitou o licenciamento ambiental em terras indígenas, está tentando favorecer a mineração em seus territórios, quer municipalizar a saúde indígena, desmontou vários conselhos participativos, entre os quais aqueles que defendem os direitos indígenas, e se prepara a receber os povos do Acampamento Terra Livre com a Força Nacional.

A Campanha da Fraternidade da Igreja Católica neste ano insiste no valor supremo da política construída de forma participativa, na escuta e envolvimento da sociedade civil. A Doutrina Social da Igreja acredita na participação como o melhor instrumento de luta contra a corrupção e de garantia dos direitos de todos, especialmente das minorias.

Papa Francisco convoca o mundo inteiro a beber da sabedoria dos povos indígenas e buscar, junto com eles, novas formas de convivência sábia e harmoniosa com a Mãe Terra.

Não deixemos que o Brasil caminhe na contramão da história. Junto à Igreja e à sociedade civil brasileira, a Articulação Comboniana de Direitos Humanos conclama que estes dias sejam de construção pacífica de um novo futuro para os povos indígenas e para nosso País.

24 de abril de 2019

Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos “Carmen Bascarán” (Açailândia – MA)
Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (Fortaleza – CE)
Movimento de Saúde Mental Comunitária Bom Jardim (Fortaleza – CE)
Centro de Defesa dos Direitos Humanos “Padre Franco Pellegrini” (Salvador – BA)
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Oscar Romero (Santa Rita – PB)
Associação de Apoio aos Assentamentos Rurais e Comunidades Quilombolas – AACADE (Paraíba)
Rede Justiça nos Trilhos (Maranhão)
Centro de Defesa de Direitos Humanos de Sapopemba “Pablo Gonzales Olalla” (São Paulo – SP)
Centro de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente “Mônica Paião Trevisan” (São Paulo – SP)
Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra (Espírito Santo)
Centro de Migrações e Direitos Humanos (Boa Vista – RR)
Santuário Santa Cruz da Reconciliação (São Paulo – SP)
http://www.ihu.unisinos.br