Terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
“Todas as religiões devem assumir a defesa da casa comum como prioritária”, defendeu Ajit Hansraj, vice-presidente da Comunidade Hindu de Portugal, na abertura do II Congresso Lusófono de Ciência das Religiões que, desde o final da tarde de sexta, 31 de Janeiro, e até à próxima quarta-feira, reúne cerca de uma centena de investigadores, dos quais cerca de sete dezenas de brasileiros.

Na foto de cima: Aspecto da mesa da sessão de abertura do congresso.
Aqui: Dança clássica indiana, na sessão de abertura do III Congresso Lusófono de Ciência das Religiões.
Fotos © Marcelo Borges, cedida pelo autor

“Todas as religiões devem assumir a defesa da casa comum como prioritária”, defendeu Ajit Hansraj, vice-presidente da Comunidade Hindu de Portugal, na abertura do II Congresso Lusófono de Ciência das Religiões que, desde o final da tarde de sexta, 31 de Janeiro, e até à próxima quarta-feira, reúne cerca de uma centena de investigadores, dos quais cerca de sete dezenas de brasileiros.

O congresso tem como tema Religião, Ecologia e Natureza. “Há uma razão imediata: o facto de Lisboa ser a capital verde europeia”, diz ao 7MARGENS paulo Mendes Pinto, coordenador da áea de Ciência das Religiões na Universidade Lusófona e responsável pela organização da iniciativa. “A urgência ecológica e o peso que a questão tem tido no panorama mediático, bem como o facto de a ecologia permitir um regresso do pensamento religioso a aspectos fundamentais” são outras motivações para a escolha do tema.

Em debate, estarão, assim, questões como a relação com a natureza enquanto criação, e com as próprias comunidades humanas, na perspectiva de uma ecologia do humano. Neste sentido, entrarão também a debate temas como os populismos ou os refugiados.

Na sessão de abertura, Ajit Hansraj sugeriu ainda que o facto de Lisboa ser capital verde europeia durante este ano “é uma oportunidade de as religiões representadas na capital se associarem activamente à causa ambiental”.

A mesma sessão contou com representantes dos cultos afro-brasileiros, da congregação politeísta e de várias comunidades religiosas minoritárias portuguesas, como a União Budista, Comunidade Islâmica, igrejas evangélicas e ainda da Sociedade Bíblica de Portugal, que se dedica à edição e divulgação da Bíblia. Todos destacaram também a importância de, a partir de cada perspectiva religiosa, se acentuar a defesa do ambiente e do planeta, como casa comum da humanidade.

“O objetivo do estudo inter-disciplinar da pluralidade religiosa é promover um conhecimento que quebre preconceitos, promova o diálogo e a convivência”, acrescentou o jornalista Joaquim Franco, moderador da sessão.

O xeque David Munir, imã da Mesquita Central de Lisboa, sugeriu também o fomento da “convivência entre crentes de várias religiões, através da frequência dos espaços de culto”. E Catarina Rodrigues, da União Budista de Portugal, acrescentou que o “encontro com o outro é já uma abertura ao estudo das religiões”.

Decorrendo na Universidade Luósofona, o congresso inclui também sessões no Templo Hindu (abertura), Mesquita de Lisboa (segunda à noite) e Centro Ismaili (quarta, 5 de Fevereiro). No último dia, entre as conferências de encerramento do programa, contam-se três estrangeiros: o rabino Yehonatan Elazar-DeMota, da Universidade de Amesterdão; Daryoush Mohammad Poor, do Instituto de Estudos Ismailis, de Londres; e o imã Ibrahim Mogra, secretário-geral do Conseho Muçulmano da Grã-Bretanha, que há um ano concedeu uma entrevista ao 7MARGENS, onde falava de alguns destes temas.
[António Marujo – 7Margens]