Covid-19: Bispos europeus pedem recuperação que «não deixe ninguém para trás»

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Sábado, 6 de junho de 2020
Mensagem conjunta dos organismos episcopais alerta para impactos da pandemia. Há uma pandemia a alastrar, com focos de contágio que se multiplicam, sem mapas e relatórios rigorosos que permitam saber se acontecem mais no norte, no sul, nas zonas urbanas ou rurais: a pandemia da pobreza. Foto: Lusa/EPA (Ecclesia)

Mas há uma perceção e há sobretudo um combate a esta pandemia que acontece na proximidade, no trabalho de várias organizações, muitas ligadas à Igreja Católica, para que "não fique ninguém para trás". O alerta foi dado a nível europeu pela Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) e o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE): “Vamos todos trabalhar juntos para uma recuperação que não deixe ninguém para trás”.

Os organismos representativos dos bispos católicos na Europa lançaram hoje um apelo conjunto em defesa das populações mais atingidas pela crise sanitária, social e económica provocada pela pandemia de Covid-19. “Vamos todos trabalhar juntos para uma recuperação que não deixe ninguém para trás”, refere um comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA pela Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) e o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE).

As presidências dos organismos estiveram reunidas por videoconferência, esta quarta-feira, para analisar o impacto da pandemia na vida das comunidades católicas e da sociedade. A posição conjunta manifesta preocupação “com a crise económica e a consequente perda de um grande número de empregos”. Os representantes dos bispos católicos destacam o papel central desempenhado pela família, “a verdadeira célula de solidariedade e partilha”, fundamental para a “recuperação social, económica e eclesial”.

A COMECE e o CCEE agradece aos padres pelo seu serviço durante o período de crise, “alguns também sacrificando suas próprias vidas”. As duas presidências enfatizaram a “forte limitação” imposta à liberdade de religião no contexto do encerramento de locais de culto e da proibição de liturgias, “pedindo o restabelecimento de relações normais entre Igreja e Estado, baseadas no diálogo e no respeito pelos direitos fundamentais”. [OC - (Ecclesia)]

Covid-19: Aumento da pobreza depois da pandemia
é um alerta para a Igreja e a sociedade, diz padre José Manuel Pereira de Almeida

Foto: Lusa.

Em Portugal, o secretário da Comissão Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana, padre José Manuel Pereira de Almeida, deixou o mesmo apelo na entrevista conjunta Renascença/Ecclesia, publicada hoje: “Creio que estamos todos conscientes disso: a situação não é fácil. Mas estou confiante em termos da capacidade de mobilização dos serviços públicos, das responsabilidades públicas a este propósito, e também da comunidade cristã”.

O secretário da Comissão Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana, organismo da Igreja Católica em Portugal, considera que o aumento da pobreza, depois da pandemia, é um alerta para todos. “É importante recordar todas as situações em que os pobres ficaram mais pobres, e há que recorrer a todos os meios para ajudar”, refere o padre José Manuel Pereira de Almeida, convidado da entrevista semanal conjunta Renascença/ECCLESIA, publicada e emitida à sexta-feira. “A Economia é para as pessoas e não para o lucro, portanto é preciso trazer as pessoas para o centro”, acrescenta.

O responsável católico, médico e pároco no centro de Lisboa, considera que os bispos foram “exemplares” na sua relação com as autoridades de saúde, durante o estado de emergência e de calamidade, assumindo agora a uma resposta no campo da solidariedade. “Creio que estamos todos conscientes disso: a situação não é fácil. Mas estou confiante em termos da capacidade de mobilização dos serviços públicos, das responsabilidades públicas a este propósito, e também da comunidade cristã”, assinala.

O padre José Manuel Pereira de Almeida fala, em particular, do que se denomina “pobreza envergonhada”, assinalando que na Paróquia de Santa Isabel, na capital portuguesa, o aumento de casos é superior a 50%. A comunidade optou por realizar as celebrações dominicais no espaço à frente da igreja, para permitir a participação de um maior número de fiéis no regresso da Missa comunitária. “Correu muito bem, com grande entusiasmo das pessoas, também dos padres, porque não é fácil estar dois meses e meio a celebrar sem fiéis”, confessa o sacerdote.

Questionado sobre o impacto das limitações à celebração de funerais e sobre as “feridas” que podem ter ficado, o entrevistado admite que “a saudade tem menos espaço para se poder exprimir, por trás de máscaras”. “Precisamos de acompanhamento, não para ensinar quem não sabe – como se nós soubéssemos –, mas para aprendermos uns dos outros como se faz este caminho, no meio da incerteza. A Igreja Católica tem um lugar, fundamentalmente de cuidado, do acolhimento”, aponta o padre José Manuel Pereira de Almeida.

Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo [Ecclesia]