Portugal: Meta para deixar de ter pessoas em situação de sem-abrigo até 2023

Immagine

Sexta-feira, 10 de Julho de 2020
A meta para deixar de ter pessoas em situação de sem-abrigo, até 2023 em Portugal, é para manter, assumiu hoje o gestor da Estratégia Nacional de Integração dos Sem-abrigo, em entrevista à Renascença e Ecclesia. “Nós não temos de ter medo, pelo contrário, temos de ser ousados, colocar uma meta e responder por ela. Não tendo metas, o risco que corremos é normalizar a situação e a situação nunca pode ficar normalizada”, referiu Henrique Joaquim, na 
entrevista semanal conjunta que é publicada e emitida hoje.

Considerando ser uma meta “ambiciosa”, o antigo responsável pela Comunidade Vida e Paz, no Patriarcado de Lisboa, admite que esta é uma via fundamental para encarar a situação das pessoas sem-abrigo como “reversível”. Henrique Joaquim destaca o trabalho realizado durante a pandemia, desde março, e diz que é necessário aproveitar essa dinâmica para “evitar que estas pessoas voltem outra vez à condição de sem-abrigo”. Uma entrevista para ler no site da Agência Ecclesia.

PORTUGAL
Meta continua a ser deixar de ter pessoas
em situação de sem-abrigo até 2023,
diz gestor da estratégia nacional

Foto: Sofia Moreira/RR

O gestor da Estratégia Nacional de Integração dos Sem-abrigo assumiu, em entrevista à Renascença e Ecclesia, a manutenção de objetivo de deixar de ter pessoas em situação de sem-abrigo até 2023, apesar da pandemia. “Nós não temos de ter medo, pelo contrário, temos de ser ousados, colocar uma meta e responder por ela. Não tendo metas, o risco que corremos é normalizar a situação e a situação nunca pode ficar normalizada”, referiu Henrique Joaquim, na entrevista semanal conjunta que é publicada e emitida à sexta-feira.

O antigo responsável pela Comunidade Vida e Paz (Patriarcado de Lisboa), admite que esta é uma meta “ambiciosa”, mas considera que é também fundamental para sustentar a convicção de que “a situação sem-abrigo é uma situação reversível”. Henrique Joaquim destaca o trabalho realizado durante a pandemia, desde março, e diz que é necessário aproveitar essa dinâmica para “evitar que estas pessoas voltem outra vez à condição de sem-abrigo”.

A resposta passa por projetos de habitação que estão em fase de implementação, como o ‘Housing First’ – em que as pessoas são acompanhadas por técnicos, tendo em vista a sua integração social – e os apartamentos partilhados, que “visam já dar seguimento o trabalho que foi feito durante a pandemia”. Nos últimos meses foram criadas, em todo o país, 21 “unidades” de acolhimento de emergência, após uma situação “abrupta”, em que a indicação foi para que todos ficassem em casa.

“Temos aqui, desde logo a contradição, de todos nós sermos mandados para casa e haver pessoas que não tinham casa para onde ir”, assinala o gestor da Estratégia Nacional de Integração dos Sem-abrigo. Segundo o entrevistado, todos os serviços que existiam continuaram a funcionar: nomeadamente, ao nível dos alojamentos, que acolheram mais de 500 pessoas. “O confinamento da população em geral tornou muito mais visível a condição em que estas pessoas estão, e obrigou-nos a tomar medidas de urgência”.

Para Henrique Joaquim, o desafio foi não deixar essas pessoas desprotegidas, protegendo-as do ponto de vista da saúde. Até hoje, revela, foram reportados “dois casos positivos” de Covid-19. “As próprias pessoas em condição de sem-abrigo adotaram, interiorizaram muito bem os comportamentos de proteção”, explica.

O responsável pede o fim do “estigma” com que esta população é vista e assinala que o Governo pretende que a representação dos sem-abrigo também aconteça “em discurso direto”.

Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)