Cabo Delgado, Moçambique: Ataques violentos são «dor vivida em todo o país», diz missionária portuguesa

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Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
Susana Magalhães e Rui Vieira, casal da Arquidiocese de Braga em missão há dois anos na Paróquia de Ocua, em Moçambique, afirmaram à Agência ECCLESIA que os ataques violentos em Cabo Delgado, no norte do país, têm sido “uma dor sentida na província e comunidade”. [Vídeo]

“É uma dor partilhada com quem tem familiares que vivem nessa zona ou que estão a acolher familiares que tiveram de se deslocar”, refere Susana Magalhães. Rui Vieira aponta que “toda a comunidade diocesana sofre com a questão”, mas que ainda não sentiram medo, talvez “pela distância que separa a comunidade de Ocua, que fica no sul da província de Cabo Delgado”.

“Por enquanto não há medo, mas por outro lado não deixamos de ter alguma ansiedade e seguimos com atenção o que se passa, quer pelas populações mas também pelos missionários que aguentaram atá ao máximo que conseguiram”, explica.

Susana e Rui assumiram a missão na Paróquia de Santa Cecília de Ocua, logo após o seu matrimónio, pelo que este lugar foi a sua primeira casa, uma espaço agora também marcado pelas dificuldades sentidas em tempo de pandemia. “Há muita coisa parada. A nível pastoral está tudo parado. Um projeto que tivemos de adaptar foi o apoio ao aleitamento, que não pode parar, porque há bebés que dependem do leite que lhe é dado pelo projeto, tivemos de adaptar e cumprimos as medidas indicadas”, disse Susana.

O alerta e a prevenção perante a pandemia foram dificultadas pela comunidade. “As pessoas não encaravam bem, havia dúvidas e até resistência a perceber o que dizíamos, quando alertávamos para a gravidade. As pessoas questionavam se era mesmo assim ou não, é um problema que não se vê, começaram a rir e tivemos de mudar o registo e apontar a gravidade; depois, é difícil gerir expectativas e anseios e dar a perceber que ainda não é tempo de baixar a guarda”, descreve Rui. 

O casal aposta no “alerta e chamadas de atenção para lavar as mãos e o uso de máscaras”, mas sente que também “o exemplo, tentando passar esse testemunho de estar em casa, é parte da mensagem”. A Paróquia de Santa Cecília de Ocua, na Diocese de Pemba, tem 96 comunidades espalhadas por 17 zonas pastorais, onde o casal se integra nos vários serviços, da saúde à educação, mas “as visitas a estas comunidades não acontecem por causa da pandemia”.

A “aproximar-se o final da missão” Susana e Rui confessam que “sentiram o desafio de ter uma vida diferente da rotina em casal”, ao viver em comunidade missionária, e ficam com a marca de uma “nova forma de estar e sentir em Igreja num trabalho de pastoral e evangelização assente nos leigos”.
[SN – Ecclesia + Vídeo]