“Enquanto milhões de pessoas morrem à fome em todo o globo, toneladas de comida são deitadas para o lixo todos os dias”, alerta embaixador do Vaticano na ONU

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Quarta-feira, 21 de Outubro 2020
O observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas (ONU), o arcebispo Gabriele Caccia, fez um apelo veemente à necessidade de combater, em simultâneo, a pobreza e a fome no mundo. Foto © Missão das Nações Unidas na ONU.

Há “uma realidade paradoxal” que vê “alimento para todos, mas fome quotidiana para muitos”, denunciou no discurso que proferiu no âmbito da 75ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. O arcebispo pediu que se reduza “o custo dos alimentos nutritivos” e se tornem “as dietas saudáveis acessíveis a todos”.

“Enquanto milhões de pessoas morrem à fome em todo o globo, toneladas de comida são deitadas para o lixo todos os dias”, alertou o embaixador do Vaticano na ONU, na passada sexta-feira, 16 de outubro. O contexto socioeconómico “dramático” causado pela pandemia da covid-19, acrescentou Caccia, veio agravar “a vulnerabilidade” das pessoas que passam fome e são desnutridas, porque “o declínio da produtividade agrícola e as restrições à exportação” exacerbaram “a pobreza e a insegurança alimentar daqueles que dependem da economia agroalimentar”.

O nosso planeta, referiu ainda Caccia, sofre de “uma relação distorcida entre alimentação e nutrição”. O arcebispo lembrou que “um número crescente de pessoas tem acesso principalmente, se não exclusivamente, a alimentos de qualidade inferior”, o que leva ao “aumento de peso, obesidade e doenças relacionadas com a nutrição”. O observador da Santa Sé pediu, por isso, que se reduza “o custo dos alimentos nutritivos” e se tornem “as dietas saudáveis acessíveis a todos”.

Gabriele Caccia pediu ainda que sejam elaboradas medidas específicas e de emergência para o setor agrícola, pois a segurança alimentar “só será alcançada quando as estruturas sociais responderem às exigências da justiça e do respeito pela dignidade intrínseca de cada pessoa”. É necessária “uma nova mentalidade”, ou seja, “políticas de desenvolvimento que tenham a pessoa humana no seu centro e que, em vez de fomentar a cultura do descarte, promovam a justiça social, a solidariedade e o respeito pelos frutos da terra e do trabalho humano”, garantindo “o acesso equitativo aos bens e recursos indispensáveis para sustentar a vida e promover o desenvolvimento integral de cada pessoa”, concluiu.
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