Sábado, 16 de Maio de 2020
O alerta foi dado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT): a pandemia de covid-19 “expôs lacunas devastadoras” na proteção social nos países em desenvolvimento e, atualmente, 55% da população mundial (cerca de quatro mil milhões de pessoas) não está coberta pela Segurança Social ou qualquer serviço de assistência social.

De acordo com um comunicado da OIT divulgado esta quinta-feira, apenas 20% das pessoas desempregadas estarão a beneficiar de subsídios de desemprego e, em algumas regiões, a cobertura é muito inferior. A organização defende que a proteção social é “um mecanismo indispensável para prestar apoio aos indivíduos durante a crise” e sublinha que, “embora o vírus não discrimine entre ricos e pobres, os seus efeitos são extremamente desiguais”. Segundo a OIT, a capacidade de aceder a cuidados de saúde e de qualidade tornou-se “uma questão de vida ou de morte”.

As atuais lacunas na proteção social podem “comprometer os planos de recuperação, expor milhões de pessoas à pobreza e afetar a preparação global para fazer face a crises semelhantes, no futuro”, considera a agência das Nações Unidas.

A OIT adverte ainda os responsáveis políticos para que não se foquem exclusivamente na covid-19, porque isso poderá reduzir a disponibilidade dos sistemas de saúde para responderem a “outras condições que matam pessoas todos os dias”, tal como aconteceu durante a epidemia de ébola, em que o foco neste vírus agravou a mortalidade por malária, tuberculose e VIH/sida.
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