IV Domingo de Páscoa
Ano B

Actos 4,8-12
Salmo 117
1João 3,1-2
João 10,11-18

Reflexões
O Bom Pastor (Evangelho) é a primeira imagem usada pelos cristãos, desde o tempo das catacumbas, para representar Jesus Cristo, muitos séculos antes de o representar crucificado. «O Bom Pastor é a versão agradável do crucifixo. Agradável só a nível figurativo, porque a essência é a mesma. Não é por acaso que no trecho de João a expressão «dar a vida» é usada para explicar o que significa ser «bom», e aparece cinco vezes» (D. Pezzini). Jesus repete com insistência que «o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas» (v. 11). Jesus identificou-se com a imagem bíblica do pastor (cf. Êxodo, Ezequiel, Salmos…), e João interpretou-a em chave messiânica. Abundam as expressões que indicam uma vida de estreita relação entre Jesus e as ovelhas: entrar-sair, abrir, chamar-ouvir, conduzir, caminhar-seguir, conhecer, dar a vida… Até se identificar plenamente com «o bom pastor que dá a vida pelas ovelhas» (v. 11.15). De notar que o texto grego usa um sinónimo: o pastor ‘belo’ (v. 11.14), isto é, bom, perfeito, que une a perfeição ética e estética.

Jesus dá a sua vida por todos: tem ainda outras ovelhas a reunir, até formar um só rebanho e um só pastor (v. 16). Ele não renuncia a nenhuma ovelha, mesmo que afastada e o não conheça: todos precisam de entrar pela porta que é Ele mesmo, porque Ele é o único salvador. A missão da Igreja move-se nestes parâmetros: vida oferecida por todos, perspectiva de um único rebanho, vida em abundância… Mesmo que o rebanho seja numeroso, ninguém está a mais, ninguém se perde no anonimato; pelo contrário, as relações são pessoais: o pastor conhece as suas ovelhas e estas conhecem-no (v. 14), chama-as uma a uma, pelo nome (v. 3). Há uma circularidade de vida e de relações entre o Pai, Jesus e as ovelhas, animados por uma linfa comum de conhecimento e de amor (v. 15). Uma circularidade que se torna modelo para a missão pastoral da Igreja, precisamente,.

O grande amor com que o Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas produz frutos grandiosos: faz de nós filhos de Deus (II leitura). João garante-nos que «somo-lo de facto!». E que um dia veremos Deus «tal como Ele é» (v.1-2). Com o dom da sua vida, o Bom Pastor tornou-se o Salvador único e universal, de todos. Afirma-o determinantemente o apóstolo Pedro, ao falar de Jesus Cristo perante o Sinédrio (I leitura): «Em nenhum outro há salvação; pois não existe debaixo dos céus outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos» (v. 12).

Seguir os passos de Jesus ‘o Bom Pastor’ é também o objectivo que hoje se propõe a 46ª Jornada Mundial de Oração pelas Vocações, com o convite a reflectir sobre o tema: «a confiança na iniciativa de Deus e a resposta humana». (*) É preciso ter confiança em Deus, que quer a vida e cuida do seu rebanho, suscitando pastores que o guiem; mas é preciso que os chamados respondam ao apelo do ‘Senhor da messe’. A vocação de especial consagração (ao sacerdócio, vida consagrada, vida missionária, serviços laicais…) reforça-se solidamente na experiência pessoal do sentir-se amado e chamado por Alguém que existe antes de nós. Para qualquer tipo de vocação, é determinante sentir como verdadeira a palavra de Jesus: «Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhece-me» (v. 14). Trata-se de uma experiência fundante, que o teólogo protestante Kar Barth, ultrapassando o idealismo cartesiano, exprime assim: «Cogitor, ergo sum» (sou pensado, logo existo). Sentir-se pensado por Deus faz-nos viver, faz-nos sentir grandes, dá-nos segurança, faz-nos sentir filhos e irmãos, faz de nós apóstolos.

Saber que vivemos no coração de Deus abre-nos ao mundo, torna-nos disponíveis a partilhar os projectos e as preocupações do Bom Pastor, que tem «outras ovelhas» (v. 16) a reunir, guiar, salvar. A proximidade e a contemplação do Bom Pastor faz-nos ser Igreja missionária, com horizontes tão grandes como o mundo inteiro. Para esse fim é preciso habilitar as paróquias e as comunidades a não ser apriscos tranquilos onde se cuida dos que ficaram, mas sim campos base onde se experimenta o encontro com o Ressuscitado e de onde se parte para anunciar Jesus aos que estão próximo e aos que estão longe.


Palavra do Papa
(*) «O nosso primeiro dever é manter viva, através de uma oração incessante, esta invocação da iniciativa divina nas famílias e nas paróquias, nos movimentos e nas associações empenhados no apostolado, nas comunidades religiosas e em todas as articulações da vida diocesana. Devemos rezar para que todo o povo cristão cresça na confiança em Deus, sabendo que o “Senhor da messe” não cessa de pedir a alguns que livremente disponibilizem a sua existência para colaborar mais intimamente com Ele na obra da salvação. Entretanto, por parte daqueles que são chamados, exige-se-lhes escuta atenta e prudente discernimento, generosa e pronta adesão ao projecto divino, sério aprofundamento do que é próprio da vocação sacerdotal e religiosa para lhe corresponder de modo responsável e convicto».
Bento XVI
Mensagem para a 46ª Jornada Mundial de Oração pelas Vocações, domingo 3.5.2009

No encalço dos Missionários
- 3/5: 46ª Jornada Mundial de Oração pelas Vocações, com o tema: «A confiança na iniciativa de Deus e a resposta humana».
- 3/5: SS. Apóstolos Filipe de Betsaida e Tiago Menor, primeiro bispo de Jerusalém.
- 3/5: B. Maria Leonia (Alodia) Paradis (1840-1912), religiosa canadiana, fundadora das Pequenas Irmãs da Sagrada Família de Sherbrooke, no Quebeque (Canadá).
- 4/5: B. João Martinho Moyë (†1793), sacerdote da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris, missionário na China, fundador, falecido em Treviri (Alemanha).
- 6/5: S. Pedro Nolasco (†1245 em Barcelona), fundador, juntamente com S. Raimundo de Peñafort e o rei Tiago I de Aragão, da Ordem da Mercede para a libertação dos escravos.
- 6/5: B. Francisco de Montmorency-Laval (1623-1708), missionário, bispo do Quebeque.
- 6/5: B. Rosa Gattorno (1831-1900), mãe de família e viúva, fundou em Piacenza o Instituto das Filhas de Sant’Ana, que partiram (1878) como missionárias para outros continentes.
- 8/5: B. Maria Catarina Symon de Longprey (†1668), das Irmãs Hospitaleiras da Misericórdia, dedicada ao cuidado físico e espiritual dos doentes no Quebeque (Canadá).
- 8/5: Santa Madalena de Canossa (1774-1835), virgem, de Verona: renunciou aos seus bens patrimoniais e fundou duas Congregações para a educação cristã da juventude.
- 8/5: Jornada Mundial da Cruz Vermelha (desde 1929) e da Meia-lua Vermelha.
- 9/5: S. Pacómio (Alto Egipto, +346), pai do monaquismo cenobita cristão.

++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Organizador por: P. Romeo Ballan – Missionários Combonianos (Verona)
Sítio Web: www.euntes.net «Palavra para a Missão»
++++++++++++++++++