Quarta-feira, 13 de Maio de 2020
“Rezar pela humanidade”. Nesta quinta-feira, dia 14 de Maio, os líderes religiosos cristãos e muçulmanos e as pessoas crentes de todo o mundo estão unidos para rezar, fazer jejum e praticar obras de misericórdia, com a intenção comum de pedir a ajuda de Deus Criador e Senhor do Universo no combate a esta pandemia do Covid-19 e na construção de um mundo mais humano e mais fraterno. O convite é extensivo a todos os crentes das outras religiões. Vamos todos aderir a esta iniciativa “Rezar pela humanidade”, promovida pelo Alto Comité para a Fraternidade Humana.
[Foto: Reunião de Oração pela Paz (Assis, 20 de Setembro de 2016)].

14 de maio é dia de, “como uma grande família”,
orarmos pelo fim da pandemia

Mural de Eduardo Kobra, alusivo à oração de crianças de diferentes religiões em tempo de pandemia. Foto reproduzida da página do artista no Twitter.

O desafio foi lançado pelo Alto Comité para a Fraternidade Humana, formado por líderes religiosos cristãos e muçulmanos, e presidido pelo cardeal Miguel Angel Ayuso Guixot, que convocou “todos os irmãos” para um “Dia de oração e jejum pela humanidade”. A data escolhida foi 14 de maio e as respostas positivas têm chegado das mais diversas Igrejas, instituições e entidades, que pretendem unir-se a este dia de oração a um mesmo Deus, pedindo pelo “fim da pandemia e por um mundo mais humano e mais fraterno”.

O Papa Francisco foi o primeiro a tornar público o seu apoio à iniciativa, ele que no passado mês de março tinha já convidado todos os cristãos a rezarem o Pai Nosso à mesma hora. “Sendo a oração um valor universal, acolhi a proposta do Alto Comité para a Fraternidade Humana para que no próximo dia 14 de maio, os crentes de todas as religiões se unam espiritualmente num dia de oração e jejum e obras de caridade, para implorar a Deus que ajude a humanidade a superar a pandemia do coronavírus”, afirmou. “Lembrem-se: todos os crentes juntos, crentes de diversas tradições, para rezar, jejuar e fazer obras de caridade.”

Um “sim” chegou também sem demoras da parte de António Guterres. O secretário-geral das Organização das Nações Unidas (ONU) fez questão de manifestar na sua conta de Twitter a adesão e apoio a este “momento para a reflexão, esperança e fé” e sublinhou que, “em momentos difíceis, temos de nos unir pela paz, humanidade e solidariedade”. Entre a lista de personalidades que tornaram pública a sua adesão a esta iniciativa contam-se ainda o presidente palestiniano Mahmoud Abbas e o rei do Bahreïn, Hahmad Bin Isa Al Khalifa.

Também a Igreja caldeia no Iraque aderiu ao Dia de oração e jejum pela humanidade. Numa nota divulgada no site do patriarcado caldeu, o cardeal Louis Raphael Sako exortou todos os iraquianos, “muitos dos quais muçulmanos, a fazerem orações para vencer a pandemia de coronavírus e salvar a humanidade das consequências de saúde, económicas, sociais e políticas” da emergência sanitária.

“Neste momento difícil”, sublinhou o cardeal Sako, “a humanidade, e em particular os iraquianos, precisam de solidariedade e esforços conjuntos para eliminar o inimigo comum representado pela covid-19 e todos os problemas decorrentes da doença, para que possamos viver em paz, segurança, estabilidade e alegria”.

Louis Raphael Sako aproveitou ainda para recordar que aguarda uma visita do Papa Francisco ao Iraque “no futuro próximo”, a qual estava programada para este ano e ficou entretanto suspensa.

No último domingo, 10 de maio, durante um telefonema de Francisco ao patriarca Tawadros II, chefe da Igreja Copta ortodoxa do Egito, também este responsável confirmou que iria unir-se à oração pela paz mundial.

No dia em que se assinalava o aniversário do início do caminho ecuménico entre as duas Igrejas (a 10 de maio de 1973, Paulo VI tornou-se o primeiro Papa a encontrar um patriarca copta, então Shenouda III), ambos se comprometeram a rezar este 14 de maio para que “Deus tenha misericórdia do mundo e da Igreja e de todos os crentes”. Francisco e Tawadros II renovaram ainda o seu compromisso de oração diária recíproca.

Uma “oportunidade única” para as religiões

Numa entrevista ao Vatican News, o presidente do Alto Comité para a Fraternidade Humana manifestou a sua satisfação pela adesão que a iniciativa tem merecido. Na sua opinião, esta pode ser explicada pelo facto de “todos, independentemente da cultura, situação económica, fé ou falta de fé religiosa” sentirem “a imensidão do grito de sofrimento da humanidade, submersa de todos os lados, angustiada e perturbada”.

O cardeal Miguel Angel Ayuso Guixot, que é também presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, da Santa Sé, considera que “a preocupação da comunidade internacional” demonstra que “como seres humanos, somos todos uma só família” e que as religiões têm um papel determinante a desempenhar nesta fase.

O Alto Comité foi criado em setembro de 2019 para  colocar em prática as recomendações do Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da Paz mundial e da convivência comum, assinado pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib, a 4 de fevereiro de 2019. O objetivo é “continuar neste caminho de busca da paz também através da solidariedade, para enfrentar a crise humana e humanitária da qual todos nós somos protagonistas”, explicou Guixot.

“Estamos diante de uma oportunidade única” para “enraizar nas nossas respetivas tradições religiosas mais queridas o nome que queremos dar ao futuro”, defendeu o cardeal. “E penso que nosso futuro será um futuro de fraternidade, de paz e de convivência comum.”
[Clara Raimundo - 7Margens]

Dia de rezar pela humanidade
14 de maio

“Enquanto confirmamos a importância do papel dos médicos e da pesquisa científica no combate a essa epidemia,
não esqueçamos de nos dirigir a Deus Criador nesta grave crise.” (AFP or licensors)

O alto Comitê para a Fraternidade Humana divulgou uma mensagem neste sábado intitulada “Rezar pela humanidade”, onde convida os líderes religiosos e pessoas de todo o mundo a recorrer a Deus a uma só voz na quinta-feira, 14 de maio, rezando, fazendo jejum e praticando obras de misericórdia, pedindo o fim da pandemia e por um mundo mais humano e mais fraterno”.

A mensagem dirigida a todos os “nossos irmãos que acreditam em Deus criador e aos nossos irmãos em humanidade onde quer que estejam”, diz o seguinte:

“Nosso mundo enfrenta hoje um grave perigo que ameaça a vida de milhões de pessoas em todo o planeta, a saber, a rápida disseminação do coronavírus (Covid-9). Enquanto confirmamos a importância do papel dos médicos e da pesquisa científica no combate a essa epidemia, não esqueçamos de nos dirigir a Deus Criador nesta grave crise. Nós, portanto, convidamos todas as pessoas, em todo o mundo, a dirigir-se a Deus rezando, suplicando, jejuando, praticando obras de misericórdia, cada pessoa, em todas as partes do mundo, segundo sua religião, fé ou doutrina, para que Ele elimine essa epidemia, nos salve desta aflição, ajude os cientistas a encontrar um remédio que a derrote e para que Ele liberte o mundo das consequências sanitárias, econômicas e humanitárias da propagação desse contágio grave.

O alto Comitê propõe, de acordo com os objetivos do Documento sobre a Fraternidade Humana, fixar 14 de maio, como um dia de oração, jejum e invocação para a humanidade, e convida todos os líderes religiosos e pessoas de todo o mundo a responder a este convite humanitário e recorrer a Deus a uma só voz, para que preserve a humanidade, a ajude a superar a pandemia, restitua a ela a segurança, a estabilidade, a saúde e a prosperidade, e torne nosso mundo, eliminada essa pandemia, mais humano e mais fraterno”.

O Comitê foi criado em agosto de 2019, com o objetivo de implementar o Documento sobre a Fraternidade Humana assinado pelo Papa Francisco e pelo Grão Imame de Al-Azhar em 4 de fevereiro de 2019, na capital dos Emirados Árabes Unidos.

O Comitê é formado pelo cardeal e presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Dom Miguel Ángel Ayuso Guixot; pelo presidente da Universidade de Al-Azhar, prof. Mohamed Hussein Mahrasawi; pelo secretário pessoal do Papa Francisco, Dom Yoannis Lahzi Gaid; pelo conselheiro do Grão Imame, o juiz Mohamed Mahmoud Abdel Salam; pelo presidente do Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi, Mohamed Khalifa Al Mubarak; pelo secretário-geral do Conselho Muçulmano dos Idosos, Sultan Faisal Al Rumaithi; e pelo escritor e representante da mídia árabe, Yasser Hareb Al Muhairi. O rabino Bruce Lustig foi incluído como membro do Comitê em setembro.