Papa manifesta preocupação com nova crise na República Centro-Africana

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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2021
O Papa Francisco manifestou hoje a sua preocupação com uma nova crise na República Centro-Africana, apelando ao diálogo e ao respeito pelos resultados eleitorais. “Sigo com atenção e preocupação os acontecimento na República Centro-Africana, onde recentemente decorreram eleições, com as quais o povo manifestou a sua intenção de seguir no caminho da paz”, disse, no final da recitação do ângelus, na biblioteca do Palácio Apostólico do Vaticano, por ocasião da solenidade da Epifania.

Foto: Minusca.

Francisco convidou todas as partes a um “diálogo fraterno e respeitoso, rejeitando o ódio e evitando qualquer forma de violência”. A cidade de Bangassou, na República Centro-Africana, foi tomada por grupos rebeldes neste domingo. O bispo local, D. Juan José Aguirre descreveu, em declarações à fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), um ambiente de violência na cidade, manifestando preocupação com a situações dos mais velhos e das crianças.

“São inocentes, olhamo-los nos olhos e não sabem nada sobre rebeldes, mercenários, lutas pelo poder. Eles só ouvem os tiros e as explosões e ficam com muito medo”, assinalou o responsável católico.
[OC - Ecclesia]

Bispo de Bangassou revela que a «cidade está quase deserta»
após ataque de rebeldes

Didascalia

O bispo de Bangassou, no sul da República Centro-Africana (RCA), denunciou que “há muitas crianças feridas por balas perdidas” e outra fogem da “violência para o Congo”, após os ataques dos rebeldes para controlar a cidade. “A cidade está quase deserta agora. A noite correu bem. Não houve tiroteios.Vivemos numa calma tensa”, disse D.  Juan José Aguirre Muñoz à Agência Fides, do Vaticano, sobre a situação esta segunda-feira, após o ataque. O responsável católica indicou que muitos rebeldes são “mercenários e pessoas do Níger” e o ataque para controlar a cidade de Bangassou fez vários mortos e feridos.

D. Juan José Aguirre Muñoz acrescenta que, como consequência desses combates, “parte da população de Bangassou fugiu para o Congo”, civis que passaram o rio Mbomou para procurar refúgio na cidade de Ndu, do outro lado da fronteira. “Há apenas os bandidos, os ladrões da cidade de Bangassou que saquearam algumas lojas. Está muito calmo. Talvez os rebeldes queiram perceber quem será o próximo governo e não queiram machucar as pessoas por enquanto”, acrescentou o bispo diocesano.

O ataque dos rebeldes a Bangassou realizou-se na véspera de serem divulgados os primeiros resultados da eleição presidencial de 27 de dezembro, esta segunda-feira; no sábado, os rebeldes atacaram sem sucesso Damara, associada ao presidente cessante e favorito nas eleições, Faustin Archange Touadéra, a 70 quilómetros de Bangui; no dia 19 de dezembro de 2020, uma coligação de grupos armados atacou a capital centro-africana para perturbar as eleições presidenciais e legislativas.

O bispo de Bangassou, que mantém contacto regular com os soldados de paz, explicou que a base das Forças Armadas da África Central (FACA) foi atacada e os Capacetes Azuis da MINUSCA, a missão das Nações Unidas na República Centro-Africana, apoiou-os sem participar nos combates. “Os rebeldes controlam a cidade, estão em todo o lado”, confirmou o chefe do gabinete regional da Minusca, Rosevel Pierre Louis, à AFP, adiantando que as forças armadas do país e as forças do governo “abandonaram as suas posições” e estão na base da missão.

Segundo um relatório das forças de paz, os combates deste domingo causaram a morte de “cinco elementos armados”; Os Médicos Sem Fronteiras contaram cerca de 15 pessoas feridas, divulga o portal ‘Vatican News’.

Portugal tem atualmente 243 militares na RCA, 188 integram a Minusca e 55 participam na missão de treino da União Europeia (EUTM), liderada por Portugal, pelo brigadeiro general Neves de Abreu, até setembro de 2021.
[CB/OC - Ecclesia]