Vamos começar a preparar bem a nossa Páscoa, indo com Jesus para o deserto, como nos narra Marcos (1, 12-15) no seu Evangelho deste primeiro Domingo da Quaresma. Porquê ir para o deserto? Para “pôr ordem” nas nossas vidas.

Porquê ir para o deserto?

Vamos começar a preparar bem a nossa Páscoa, indo com Jesus para o deserto, como nos narra Marcos (1, 12-15) no seu Evangelho deste primeiro Domingo da Quaresma. Porquê ir para o deserto? Para “pôr ordem” nas nossas vidas.

“Sem que nos apercebamos, a vida torna-se desordenada, fragmentada, desgastada. Precisamos de pôr em ordem os pequenos fragmentos do nosso tempo, do nosso corpo, do nosso coração”, dizia o Cardeal Martini. O deserto é o lugar que nos proporciona “espaço e tempo” para entrarmos em nós mesmos, num frente a frente com Deus, para pormos ordem no que não nos deixa crescer na liberdade e na verdade daquilo que somos ou deveríamos ser.

A Quaresma é um tempo para nos deixarmos levar para o deserto. Um tempo para parar, para deixar de se refugiar em todos os álibis que usamos para nunca mudar, para olhar para dentro de nós próprios, para tentar refazer e reordenar as nossas prioridades e voltar ao essencial, ao que realmente importa. A Quaresma é um tempo para vencer a tibieza e a mediocridade, lutando contra todas as formas de maldade que, em pequenas doses diárias, envenenam os nossos corações e as nossas relações. É um tempo para entrar no deserto e permanecer lá, como Jesus, sem fugir, deixando que o Espírito ponha em crise o nosso ego e os nossos esquemas. Só assim podemos pôr ordem nas nossas vidas, nos nossos sentimentos, nos nossos afectos.

Depois deste processo, no qual deixamos morrer o que há de velho dentro de nós, então, poderemos celebrar a Páscoa, celebrar a plenitude da vida com Cristo Ressuscitado. Boa Quaresma!

DOMINGO I DA QUARESMA

No Evangelho, do primeiro Domingo da Quaresma [Mc. 1, 12-15], Jesus mostra-nos como a renúncia a caminhos de egoísmo e de pecado e a aceitação dos projetos de Deus está na origem do nascimento desse mundo novo que Deus quer oferecer a todos os homens, o “Reino de Deus”. Aos seus discípulos Jesus pede – para que possam fazer parte da comunidade do “Reino” – a conversão e a adesão à Boa Nova que Ele próprio veio propor.

Para que o “Reino de Deus” se torne uma realidade, o que é necessário fazer? Na perspetiva de Jesus, o “Reino de Deus” exige, antes de mais, a “conversão”. “Converter-se” é, antes de mais, renunciar a caminhos de egoísmo e de autossuficiência e recentrar a própria vida em Deus, de forma a que Deus e os seus projetos sejam sempre a nossa prioridade máxima. Implica, naturalmente, modificar a nossa mentalidade, os nossos valores, as nossas atitudes, a nossa forma de encarar Deus, o mundo e os outros. Exige que sejamos capazes de renunciar ao egoísmo, ao orgulho, à autossuficiência, ao comodismo e que voltemos a escutar Deus e as suas propostas. 

ORAÇÃO

Senhor, criador do céu e da terra, bendito sejas, porque nos insuflaste o teu sopro de vida, e por Jesus ressuscitado, no nosso batismo, enches-nos do teu Espírito e nos recrias para nos tornarmos vivos. 
Nós Te pedimos ainda: como os primeiros homens, abandonados a si mesmos, sentimo-nos impotentes diante dos fracassos e das misérias do nosso próximo. Dá-nos o conhecimento do bem. 

Nós Te damos graças, porque nos enviaste o teu próprio Filho, como um novo Adão, para que Ele tome a cabeça de uma nova humanidade. Nós Te bendizemos pelo dom gratuito da salvação, que nos ultrapassa infinitamente. 
Nós Te pedimos pela multidão dos homens: pelo teu Filho Jesus, concede-nos em plenitude o dom da tua graça, que justifica e dá vida. 

Pai, é unicamente diante de Ti que nos prostramos, e Te bendizemos pela Palavra que sai da tua boca: ela é o verdadeiro pão que dá vida, ela é a resposta eficaz nas provações, nós acolhemo-la no teu Filho. 
Nós Te pedimos: que o teu Espírito Santo nos torne fiéis à tua Palavra, a exemplo de Jesus, para que possamos segui-l’O no caminho de vida. Ámen