Quarta-feira, 3 de Março de 2021
A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2021 como Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil, que atinge 152 milhões de crianças em todo o mundo. A revista «Além-Mar
» de Janeiro de 2021 publicou um artigo, intitulado “Trabalho infantil: Crianças sem infância”, escrito pelo jornalista Carlos Reis, no qual denuncia esta realidade «prejudicial para a saúde e desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças».  [Foto: RD. Congo (fairplanet.org). Texto: «Além-Mar»]

2021
Ano Internacional alerta para drama Trabalho Infantil

Um em cada dez menores em todo o mundo está em situação de trabalho infantil.
Embora o número de crianças e adolescentes no trabalho tenha diminuído desde o início do milénio,
a taxa de redução desacelerou nos últimos quatro anos. O desafio de acabar com o trabalho infantil permanece.

A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2021 como Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil, que atinge 152 milhões de crianças em todo o mundo. “Será uma grande ajuda para concentrar a atenção nos milhões de meninas e meninos que ainda trabalham nos campos, minas e fábricas”, disse Beate Andrees, chefe do Departamento de Princípios Fundamentais e Direitos no Trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A Assembleia Geral das Nações Unidas pediu à OIT para assumir a liderança de implementação do Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil e destaca os compromissos dos Estados-membros em “tomar medidas imediatas e efetivas para erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e tráfico de seres humanos e assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo o recrutamento e uso de crianças-soldados e até 2025 acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas”.

As estimativas globais contabilizam que 152 milhões de crianças – 64 milhões de meninas e 88 milhões de rapazes – estão em situação de trabalho infantil, quase uma em cada dez crianças em todo o mundo, um número que diminuiu em 94 milhões desde 2000. A taxa de redução, no entanto, abrandou em dois terços nos últimos quatro, indica o relatório ‘Ending Child Labour by 2025’, da Organização Internacional do Trabalho. Já o número de crianças-soldados, recrutadas por grupos armados, aumentou 159 por cento em cinco anos e estima-se que existam 250 mil crianças-soldados no mundo.

“Perigoso e prejudicial para a saúde e desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças, o trabalho infantil interfere com a sua escolarização, seja porque as priva desta, porque as conduz ao abandono precoce da escola ou as obriga a conciliar a frequência escolar com longas horas de trabalho”, alerta um artigo publicado na revista ‘Além-Mar’ que dedica a edição de janeiro ao Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil.

revista dos Missionários Combonianos partilha o testemunho de Bráulio que com 14 anos trabalha numa mina em La Rinconada, no Peru: “Um dia não me sentia bem, estava muito cansado e caí algumas vezes enquanto trabalhava. Na saída da mina, o meu carrinho tombou e todo o minério caiu. O capataz observava-me e pontapeou-me com toda a força por causa disso”.

A consultora internacional Verisk identificou 27 países em “risco extremo” de trabalho infantil, na lista Maplecroft Child Labour Index 2019, e os 10 países com pior desempenho são a Coreia do Norte, Papua Nova Guiné (Ásia), Somália, Sudão do Sul, Eritreia, República Centro-Africana, Sudão, Chade, Moçambique (África) e a Venezuela (América do Sul).

No documento ‘COVID-19: Protect Children from Child Labour’, a OIT alertou que a crise pode “empurrar milhões de crianças vulneráveis para o trabalho infantil tendo estas de contribuir para o rendimento familiar”. Em 2020, o Papa Francisco associou-se à celebração do Dia Mundial contra o trabalho infantil com uma mensagem na sua conta no Twitter, com o hashtag (marcador) ‘#NoChildLabourDay’.

“Muitas crianças são obrigadas a trabalhos inadequados para sua idade, que as privam da sua infância e colocam em risco o seu desenvolvimento integral. Faço um apelo às instituições para que realizem todos os esforços para proteger os menores”, escreveu a 12 de junho, depois de alertar para formas de “escravatura” e “reclusão” que afetam crianças em vários países “e põe em risco o seu desenvolvimento integral”, no final da audiência geral.
[
CB/OC - Ecclesia]

(Fotogramma)

Crianças sem infância no mundo:
(Idades entre os 5 e os 17 anos)
152 milhões de crianças encontram-se em situação de trabalho infantil
108 milhões de crianças trabalham na agricultura
75 milhões de crianças executam trabalho não remunerado no seu agregado familiar
73 milhões de crianças executam trabalhos perigosos
4,3 milhões de crianças executam trabalho forçado
250 mil crianças-soldados foram recrutadas por grupos armados
Fontes: International Labour Organization e Child Soldiers International