Noticiário mensal dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus
DIREÇÃO GERAL
Profissões perpétuas
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Sc. Mercado Sandoval Diego Martín |
Manila/A |
02/02/2026 |
Ordenações
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Mwilu Nicholas Mbithi |
Kandisi/KE |
10/02/2026 |
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Romero Chajón David Eduardo |
Cidade da Guatemala |
07/02/2026 |
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Muhindo Kapanza Lwanzo |
Butembo/CN |
15/02/2026 |
Obra do Redentor
Março 01 – 07 CO 08 – 15 E 16 – 31 DSP
Abril 01 – 15 CN 16 – 30 EC
Intenções de oração
Março: Para que, como Família Comboniana, saibamos procurar aqueles que estão longe da fé e ser instrumentos de encontro com o Senhor Jesus e com o Evangelho da vida, em todas as partes do mundo. Oremos.
Abril: Por uma colaboração profunda dentro da Família Comboniana, para que possamos testemunhar uma Igreja sinodal, próxima dos mais pobres e abandonados, segundo o desejo de São Daniel Comboni. Oremos.
Aniversários significativos
MARÇO
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15 |
Nascimento de São Daniel Comboni |
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17 |
São Patrício, bispo |
LP (Província de Londres) |
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19 |
São José, esposo da Virgem Maria |
África Central |
ABRIL
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25 |
São Pedro de São José |
Província da América Central [Costa Rica, Guatemala, El Salvador] |
ÁSIA
Profissão perpétua do escolástico Diego Mercado, em Manila
No dia 2 de fevereiro, por ocasião do Dia Mundial da Vida Consagrada, os missionários combonianos, juntamente com os amigos e benfeitores, reuniram-se em Manila para celebrar a profissão perpétua do escolástico Mercado Sandoval Diego Martín, que cumpriu o seu período de serviço missionário na nossa delegação durante quase um ano.
Agradecemos a Deus pelo facto de o nosso jovem confrade ter consagrado para sempre a sua vida ao serviço das missões.
Durante a homilia, o superior delegado, padre Aguilar Sánchez Víctor Manuel, sublinhou que a entrega total à missão é a essência da nossa vocação. Acrescentou que o nosso principal compromisso é o anúncio do Evangelho entre os grupos humanos mais pobres e abandonados, nos diferentes continentes do mundo, inspirando-nos e fortalecendo-nos numa profunda e terna devoção ao Coração traspassado de Jesus. Sustentados pelo amor deste Coração, estamos determinados a partilhar com estes irmãos e irmãs mais abandonados que vivem nas periferias da sociedade a «boa nova» do Reino, com vista a uma autêntica promoção humana.
O Padre Victor Manuel lembrou a Diego, aos confrades e a todos os presentes na celebração que a nossa consagração é «para toda a vida» (ad vitam), vivida além das fronteiras dos nossos países de origem (ad extra), dedicada ao serviço dos pobres (ad pauperes) e dirigida a todos os povos, em particular aos não cristãos (ad gentes). Concluiu: «Estes são os elementos fundamentais que definem a nossa vocação e identidade missionária. Hoje, Diego Martín é um testemunho vivo do nosso carisma comboniano». (Padre Aguilar Sánchez Víctor Manuel, mccj
CONGO
Ordenação sacerdotal de Lwanzo Kapanza em Butembo
No passado dia 15 de fevereiro, a diocese de Butembo-Beni viveu um acontecimento de grande alcance espiritual: a ordenação sacerdotal de Muhindo Kapanza Lwanzo, missionário comboniano, celebrada por Mons. Sikuli Paluku Melchisédech, bispo da diocese de Butembo-Beni, na paróquia do Imaculado Coração de Kitatumba. Juntamente com outros catorze novos sacerdotes — treze diocesanos e outro religioso — o padre Lwanzo respondeu com generosidade ao chamado do Senhor. A celebração foi muito mais do que um rito litúrgico: foi um verdadeiro sinal de luz num contexto marcado por provações. Enquanto a província de Kivu do Norte continua a enfrentar as dolorosas realidades da guerra e da insegurança, a Igreja local mostrou o seu lado mais bonito: uma comunidade fervorosa, unida e solidária.
A alegria era palpável. Os cânticos, as orações e a participação fervorosa dos fiéis testemunharam uma fé viva que não se deixa abater pelas dificuldades. No meio das adversidades, Deus continua a chamar e os jovens continuam a responder “sim”. Estas ordenações lançaram uma mensagem forte: a esperança é mais forte do que o medo.
O padre Lwanzo insere-se na grande tradição do carisma de São Daniel Comboni, orientado para a evangelização e o serviço aos mais vulneráveis. O seu empenho recorda que a missão não é apenas um destino geográfico, mas uma entrega total de si mesmo para o anúncio do Evangelho e para a construção de uma sociedade mais fraterna.
No dia seguinte à sua ordenação, o padre Lwanzo celebrou a sua primeira missa na paróquia de origem, rodeado pela sua família e pela comunidade comboniana local, que trabalha com dedicação na diocese. Foi um momento de profunda comunhão e ação de graças. A comunidade cristã acolheu com orgulho e gratidão este filho que se tornou sacerdote para a Igreja universal.
Esta celebração dos «primeiros frutos» foi também um momento importante de animação missionária e vocacional. Através do seu testemunho, o padre Lwanzo encorajou os jovens a não terem medo de doar a sua vida a Cristo e à sua Igreja. O seu caminho torna-se um sinal vivo de que, mesmo nos contextos mais frágeis, Deus continua a semear vocações e a suscitar artesãos da paz.
Rezemos ao Senhor para que esta ordenação seja para a diocese de Butembo-Beni e para a família comboniana uma renovação da fé e do compromisso missionário de anunciar a Boa Nova e denunciar tudo o que fere a dignidade da pessoa humana e de toda a criação. (Padre Mumbere Kahongya Mapenzi, mccj)
ITÁLIA
Grupo Europeu de Reflexão Teológica: «Compreender os desafios de hoje»
O caminho do Grupo Europeu de Reflexão Teológica (Gert) continua também no novo ano. O encontro de Verona (2-4 de fevereiro) deveria abordar uma série de temas relacionados com as mudanças sociais e religiosas n m Europa. Por várias razões, apenas alguns membros puderam estar presentes pessoalmente e partilhar os resultados das suas pesquisas.
O padre Moses Otii, pároco e formador da comunidade formativa de Graz, apresentou a sua pesquisa sobre as origens da violência na nossa sociedade. O padre Paolo Latorre expôs a sua leitura da mudança de paradigma social, recorrendo às suas reflexões anteriores e ao convite do Papa Francisco para compreender a importância dessa mudança no nosso tempo. O padre Justino Martínez Pérez propôs uma leitura e um uso pastoral da Bíblia, especialmente em referência a uma presença pastoral na Europa orientada a alcançar aqueles que ainda não fazem parte da comunidade de fé.
Entre as propostas consideradas pelos participantes destaca-se um programa de estudos sobre o tema da interculturalidade, no qual também participarão os jovens confrades em formação na Europa. A interculturalidade é um grande desafio para as nossas sociedades, cada vez mais multiculturais, mas também para os próprios missionários combonianos. O Instituto Comboniano é, de facto, cada vez mais internacional, com uma presença crescente de confrades provenientes de África e de alguns países asiáticos. Trabalhar juntos, testemunhar juntos a fé e empenhar-nos na transformação das nossas comunidades, em harmonia e comunhão de intenções, é, portanto, uma tarefa importante.
Haverá outros encontros em 2026, entre os quais o Simpósio de Limone, previsto para o próximo mês de junho. (Padre Giuseppe Caramazza, mccj)
Na esteira da Laudato si' – Aceitar os limites – “A comida e o seu desperdício”
Na sexta-feira, 6 de fevereiro, realizou-se na nossa casa de Pádua a primeira noite do novo percurso “Na esteira da Laudato si’”, intitulado Aceitar os limites. Trata-se do terceiro percurso (estamos no terceiro ano do programa “Na esteira da Laudato si’”), iniciado com a reflexão sobre a mudança necessária para chegar a pensar um novo bem-estar e que agora indica um caminho possível através da aceitação dos limites, estruturalmente próprios da pessoa humana e da criação.
O encontro (seguir-se-ão outros três – ver abaixo) abordou o tema A comida e o seu desperdício na era das alterações climáticas.
Três reflexões foram apresentadas no encontro. Davide Pettenella (professor da Universidade de Pádua e membro do comité científico da Fundação Lanza) falou sobre Produção, logística e consumo de alimentos: desperdício e boas práticas. Massimiliano Monterosso, responsável pelo projeto Re.T.E. Solid.A [Relações Território Economia Solidariedade Ambiente]–Pádua, interveio sobre Criar e apoiar circuitos de recuperação e reutilização dos excedentes alimentares. Por fim, Francesca Marin (professora da Universidade de Pádua e coordenadora do projeto Ética, Teologia e Filosofia, da Fundação Lanza) concluiu com a intervenção Limitar o desperdício é um ato de cuidado e uma questão ética.
Uma numerosa assembleia acompanhou com grande atenção as qualificadas e apreciadas intervenções dos três oradores. A fonte inspiradora do percurso é a encíclica Laudato si' do Papa Francisco (publicada a 24 de maio de 2015), tanto para todo o percurso – Aceitar os limites –, como para o tema específico da noite – [A alimentação, em particular o § 20 (desperdício e valor dos alimentos), os §§ 129-131 (terra, trabalho e biodiversidade) e o § 156 (qualidade de vida e alimentação correta)].
Outra frase cheia de significado do Papa Francisco, proferida na sua mensagem em vídeo por ocasião do encontro de 500 representantes nacionais e internacionais – “As ideias da Expo 2015 – Rumo à Carta de Milão”, em 7 de fevereiro de 2015, também inspirou a noite: «Há comida para todos, mas nem todos podem comer […]. Portanto, se realmente queremos resolver os problemas e não nos perdermos em sofismas, é necessário resolver a raiz de todos os males, que é a desigualdade [...] Para fazer isso, há algumas escolhas prioritárias a serem feitas: renunciar à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e agir, antes de tudo, sobre as causas estruturais da desigualdade» – neologismo eficaz [desigualdade = «desigualdade injusta»] cunhado por Francisco para descrever a raiz da miséria numa economia que mata e matou muitas pessoas.
É necessário, portanto, «aceitar os limites», se se pretende alcançar uma igualdade justa também na produção, gestão, consumo e desperdício de alimentos.
Programa dos próximos encontros
(Padre Gaetano Montresor, mccj, e o Colibrì – Eu faço a minha parte)
QUÉNIA
Quatro «primeiras vezes» significativas
Desde o início deste ano de 2026, a Província do Quénia viveu quatro celebrações que, cada uma à sua maneira, tiveram o sabor de uma «primeira vez»: uma profissão perpétua em terra de fronteira; uma ordenação diaconal no extremo norte do país; jubileus sacerdotais de prata celebrados na comunhão eclesial; finalmente, uma ordenação sacerdotal na periferia. Eventos que, embora distintos entre si, convergem numa única experiência de graça e renovação missionária.
A 15 de janeiro de 2026, o nosso confrade Wanyama Musungu Mark emitiu a profissão perpétua durante uma celebração solene na Catedral de Nossa Senhora da Consolação, em Marsabit. Para os muitos fiéis presentes, foi a primeira profissão perpétua alguma vez vivida na sua comunidade: um momento de intensa emoção e profunda edificação espiritual.
Apenas dois dias depois de consagrar para sempre a sua vida ao carisma comboniano de servir os «mais pobres e abandonados», a 17 de janeiro de 2026, Mark foi ordenado diácono pela imposição das mãos de Mons. Peter Kihara, bispo da Diocese de Marsabit.
A presença dos missionários combonianos nesta região remonta ao final de 1973. Esta celebração foi, portanto, um sinal eloquente da fidelidade e continuidade do nosso testemunho nesta fronteira setentrional. Ela renovou em todos a consciência do chamado comum a sermos servos missionários nas periferias e nas fronteiras da história.
A 7 de fevereiro, os nossos confrades, o padre Andrew Wanjohi e o padre Percy Carbonero, que celebraram recentemente o jubileu de prata do sacerdócio, receberam oficialmente um certificado das mãos de Mons. Philip Anyolo, arcebispo metropolitano de Garoisa. Percy Carbonero, que recentemente celebraram o jubileu de prata do sacerdócio, receberam oficialmente um certificado das mãos de Mons. Philip Anyolo, arcebispo metropolitano de Nairobi, no contexto da celebração do Dia Mundial da Vida Consagrada, realizada na Basílica Menor da Sagrada Família, em Nairobi. Eles estavam entre muitos outros homenageados provenientes de outras congregações religiosas. Elevar este evento a uma grande celebração comum foi uma «estreia» que, além de ser um testemunho poderoso, reforçou a apreciação que os missionários combonianos gozam entre as pessoas consagradas no país.
A 14 de fevereiro, no coração da diocese católica de Ngong, escreveu-se uma nova página da história: a igreja de São João Evangelista, em Erankau, acolheu a sua primeira ordenação sacerdotal. Passaram-se apenas alguns anos desde que os missionários combonianos alargaram a sua presença a Erankau, território tradicionalmente habitado pelo povo Maasai. Numa celebração permeada por uma profunda fé e uma vibrante riqueza cultural, o diácono comboniano Nicholas Mbithi Mwilu foi ordenado sacerdote, tornando-se um sinal de esperança para a comunidade local de fiéis e para toda a família comboniana. A igreja de São João Evangelista em Erankau faz parte da paróquia do Espírito Santo de Kandisi.
Presidida por Mons. John Oballa Owaa, bispo de Ngong, a ordenação marcou uma transformação simbólica: Erankau, de simples posto avançado local, tornou-se uma autêntica plataforma de lançamento missionário. O bispo expressou palavras de apreço aos missionários combonianos, recordando como a semente da fé que eles plantaram há muitos anos na paróquia de Santa Maria em Ongata Rongai deu frutos, gerando numerosas outras paróquias na diocese. Depois de ter feito os votos perpétuos diante deste mesmo altar, o padre Nicholas prepara-se agora para levar o espírito de Ngong para além das fronteiras nacionais, com a sua primeira missão na província comboniana do México.
Elevamos a nossa oração para que este evento histórico marque o início de um novo capítulo para os fiéis da área de Erankau e se torne um sinal credível e profético de que cada periferia pode transformar-se num centro fecundo de crescimento vocacional e numa expressão concreta da dimensão universal da nossa vocação missionária. (Padre Wanjohi Thumbi Andrew, mccj).
MOÇAMBIQUE
Mons. Constantino toma posse da nova diocese de Caia
A 25 de fevereiro, em Caia (Moçambique), foi erigida a nova diocese, com a tomada de posse do primeiro bispo, Mons. António Manuel Bogaio Constantino, na igreja paroquial de São Mateus Apóstolo, agora catedral. Mons. Cláudio Dalla Zuanna, arcebispo de Beira, introduziu a celebração recordando a história da evangelização no Vale do Zambeze. O núncio apostólico, Mons. Luís Miguel Muñoz Cárdaba, fez ler a bula de ereção do Papa Leão XIV e o decreto de nomeação do bispo.
Na homilia, Mons. Bogaio sublinhou a importância da unidade: «Tinaphata basa pabodzi» (“trabalharemos juntos”), recordando que Deus pede antes de mais conversão, santidade e unidade. Ele expressou o desejo de conhecer o povo da diocese, apoiar os sacerdotes e catequistas, animar os jovens e caminhar com as famílias, inspirando-se em São Daniel Comboni: «Ndabwera kakhala pakati pano» (“vim para estar entre vós”).
Propôs ainda uma nova estrutura administrativa descentralizada, para tornar a justiça e os serviços mais próximos do povo, e recordou a herança dos antigos missionários. Participaram na celebração autoridades eclesiásticas e políticas, fiéis e clero de Caia e Beira. Mons. Constantino era bispo auxiliar de Beira; a diocese de Caia compreende os distritos de Caia, Chemba, Cheringoma, Chinde, Doa, Luabo, Maringue, Marromeu, Mopeia, Morrumbala, Mutarara e Tambara. (Padre Sérgio M. Vilanculo, mccj)
PERU
Marcelino, primeiro diácono diocesano permanente nomatsiguenga: «Estamos a amazonizar a Igreja»
Continua-se a realizar o sonho de Comboni: que os autóctones sejam protagonistas da missão evangelizadora dos seus próprios irmãos. Esta abordagem à regeneração dos povos, iniciada em África, chegou à América, numa comunidade nativa nomatsiguenga chamada Mazaronquiari, na selva amazónica peruana, no departamento de Junín, no distrito de Pangoa. Aqui, em 21 de novembro de 2025, Marcelino Shuente Chumpate foi ordenado diácono permanente do Vicariato de San Ramón, por Mons. Gerardo Zerdín, bispo do vicariato.
Marcelino Shuente Chumpate nasceu a 1 de novembro de 1987 na comunidade nativa de Alto Anapati (uma comunidade indígena da selva central do Peru). Recebeu a sua educação primária em Anapati. Para concluir os cinco anos do ensino secundário, mudou-se para Mazaronquiari. Ele conta: «Apesar das dificuldades próprias das nossas comunidades, consegui terminar o ensino secundário com empenho e perseverança, confiando sempre na ajuda de Deus».
Depois de terminar a escola, ele não voltou para Anapati, mas ficou em Mazaronquiari. Apaixonou-se por uma colega de turma, Amanda Vergas Piori, e eles casaram-se, acompanhados pelo padre Oscar Gámez, missionário comboniano mexicano. Hoje têm cinco filhos.
Marcellino é agricultor: cultiva café, para sustentar economicamente a família, e mandioca e banana para consumo familiar. Ele é grato a Deus pela sua família: «Deus me abençoou. Vivo feliz com a minha família e com os meus irmãos. Sou grato a Deus por esta grande dádiva».
Marcelino pertence a uma família da Igreja evangélica. Os seus pais acolheram os pastores evangélicos que viviam em Anapati. Conheço o seu pai: um homem generoso que sempre me recebia com uma bebida tradicional (masato). A sua mãe muitas vezes me deu mandioca para levar à comunidade. Agradeço a Deus por me ter feito conhecer esta família.
Trabalhei com Marcelino e posso testemunhar que ele é uma pessoa de profunda fé: teve uma verdadeira experiência de encontro com Cristo. Lembro-me de uma entrevista que demos à televisão espanhola. O jornalista perguntou a Macheko (é o apelido que as comunidades nativas lhe deram): «Como se tornou cristão?». Ele respondeu: «Jesus tocou o meu coração. Vivo feliz com Deus, reconhecendo que Ele é o único que transformou a minha vida».
Marcelino conheceu os missionários combonianos graças ao padre Oscar Gámez, que visitava as comunidades nativas nomatsiguenga, servindo-se dele como intérprete. «Com a chegada dos missionários combonianos, a minha fé fortaleceu-se. Um deles deu-me a oportunidade de traduzir os Evangelhos para a língua nomatsiguenga». Em breve, Deus chamou-o de tradutor para evangelizador.
Quando cheguei a Pangoa pela primeira vez, pedi-lhe que me acompanhasse às comunidades. Graças a ele, consegui entrar em muitas delas. No início, durante as missas, após a homilia, pedia-lhe que acrescentasse algo da sua parte. Em breve, comecei a deixar-lhe toda a homilia. Percebi imediatamente que ele tinha vocação para evangelizar. Preparei um programa de celebrações litúrgicas nas comunidades. Aos domingos, cada um cuidava de duas comunidades. Durante a semana, cada um tinha quatro celebrações.
Marcelino diz: «Confiaram-me a tarefa de celebrar a liturgia da Palavra todas as semanas ou quinzenalmente. A minha missão é evangelizar e servir o povo de Deus, especialmente nas comunidades nativas».
Com a comunidade religiosa de Pangoa, enviámos Marcelino para a Escola de Evangelização (ESCA), uma instituição para a formação de animadores cristãos e catequistas do Vicariato de San Ramón. Esta preparação durou três anos. Marcelino demonstrou um forte espírito de sacrifício, tendo de cuidar da família e, ao mesmo tempo, dedicar-se aos estudos. Terminada a preparação, o vicariato aceitou a sua candidatura a diácono permanente.
Marcelino está entusiasmado com o carisma de Daniel Comboni: «Agradeço a todos os combonianos pelo seu apoio e pelos bons momentos partilhados. A minha vocação fortaleceu-se com a chegada deles: deram-me a oportunidade de continuar o caminho da evangelização nas comunidades nativas, como San Pablo de Mazaronquiari, Alto Anapati, Cubantía, Menkoriari, Chuquibambilla, Jerusalén de Miñaro e Santa Teresita».
Penso realmente que o diaconado permanente de Marcelino não só atualiza o carisma de Comboni, que sonhava que cada destinatário da missão se tornasse missionário dos seus irmãos, mas também concretiza o sonho da Igreja universal que o Papa Francisco expressou no documento Querida Amazonia: ter uma Igreja com rosto amazónico. A partir de hoje, podemos começar a dizer que estamos a «amazonizar» a Igreja. (Padre David Nyinga Dunga, mccj).
Assembleia Provincial 2026
De 26 a 30 de janeiro, reunimo-nos na casa de Monterrico para a assembleia anual, que teve como tema: “Reacender o fogo da missão”. Quase todos os confrades participaram e o clima foi de profunda reflexão, verdadeira fraternidade e comunhão fraterna.
Utilizando a abordagem da sinodalidade, ouvindo o Espírito que nos guia neste caminho para discernir onde estamos e para onde queremos ir, seguimos a carta do Conselho Geral sobre a missão comboniana atual, Ir mais além. Ao mesmo tempo, vivemos este processo em comunhão com a Igreja local, que está a celebrar o jubileu dos 300 anos da canonização de Santo Toribio de Mogrovejo, grande missionário do Peru.
A Assembleia começou com uma primeira reflexão confiada a um jovem sacerdote diocesano, o padre Yadir Candela, da arquidiocese de Lima, sobre o tema “Paixão pela missão à luz dos 300 anos da canonização de Santo Toribio de Mogrovejo”. Ele fez uma apresentação muito envolvente sobre São Turíbio (1538-1606), arcebispo espanhol em Lima, no Peru. Evangelizador incansável, Turíbio percorreu milhares de léguas a pé por uma vastíssima arquidiocese, pregando nas línguas indígenas e promovendo a inclusão dos indígenas, afrodescendentes e mestiços. Para os povos do Peru, ele foi um pastor missionário amado, pai da Igreja latino-americana e modelo de paciência e caridade.
Seguiu-se uma segunda reflexão sobre a “Paixão pela missão à luz de São Daniel Comboni”, vista no contexto da realidade da África Central do século XIX, marcada pela exploração, pelo colonialismo, pelo comércio de escravos, pelas doenças, pela pobreza e pela elevada mortalidade.
Tanto em São Turíbio como em São Daniel Comboni, a missão foi uma proposta de dignidade integral. Das duas intervenções emergiu claramente a pergunta dirigida a todos: hoje, o que nos apaixona e nos interpela na nossa missão?
Respondendo a essa pergunta, foi sublinhada a necessidade de uma entrega total a Deus e à missão. Somos chamados a ser missionários com castidade íntegra, fé constante, humildade, abnegação, dedicação generosa, caridade e um vivo sentido de Deus (Escritos, 2484, 2887). Sem estes fundamentos, nascem o vazio e a desolação. Um missionário deve ter uma caridade apostólica, inflamada pelo amor divino, em que as privações se tornam doces por amor. O amor a Jesus Cristo e o amor aos mais pobres e abandonados são inseparáveis e superiores aos afetos terrenos. Indispensáveis também são a disponibilidade e a confiança total, ou seja, estar pronto para tudo, na alegria e na tristeza, na vida e na morte, confiando na Cruz, no Sagrado Coração de Jesus e em Maria.
O primeiro dia terminou com a missa presidida pelo padre Nelson Mitchell, marcando o início do segundo triénio (2026-2028) do seu serviço como superior provincial. Durante a celebração, o padre Nelson renovou a profissão de fé e o juramento de fidelidade. Foram também recordados dois grandes missionários no Peru recentemente falecidos: os padres Albino Grunser e José Schmitdpeter.
No segundo dia, o padre Edison López apresentou o tema “As nossas dioceses e a sinodalidade”, no qual ilustrou a implementação do caminho sinodal como prática de discernimento, sugerindo também algumas pistas para as Igrejas locais. Como eixos principais dessa abordagem, enumerou a conversão dos percursos pastorais, a escuta inclusiva, a renovação das estruturas, a verificação eclesial, a integração teológica e espiritual e a atenção prioritária dada às relações com as mulheres, os jovens e os pobres.
O resto do segundo dia e o terceiro foram dedicados aos vários relatórios. Começou-se com o relatório sobre a situação da Província, apresentado pelo superior provincial. Em seguida, os secretariados e as comunidades avaliaram o Plano Sexenal, perguntando-se «onde estamos», «onde queremos chegar», «o que resta por realizar» e «que caminho percorrer», tudo à luz das orientações sugeridas pelo Conselho Geral sobre o processo de reorganização do Instituto, utilizando o método da «conversa no Espírito». Ouvimos também as missionárias combonianas, os leigos missionários combonianos e o Centro Laudato Si'.
O quarto dia foi dedicado à recreação e à fraternidade, com uma bela excursão comunitária, enquanto o quinto dia terminou com a votação das moções e a missa final.
Vivemos com grande alegria a profissão perpétua do escolástico Mathews Mwaba, que disse o seu «sim» definitivo à missão para toda a vida. Imediatamente a seguir, houve um delicioso e festivo almoço.
No dia 7 de fevereiro, reunimo-nos novamente em torno de Mathews, que recebeu o diaconato na paróquia de San Martín de Pangoa, pela imposição das mãos de Mons. Luis Alberto Barrera Pacheco, mccj, bispo de Callao. Foi uma celebração muito bonita, alegre e profundamente missionária, organizada pela comunidade paroquial e pelo Colégio São Daniel Comboni, a quem toda a nossa gratidão pela sua generosidade e pelo trabalho realizado. (Padre Nelson Mitchell, mccj)
UGANDA
Transferência da Comunidade de Palorinya da Província do Sudão do Sul para a Província do Uganda
Em 1 de janeiro de 2026, a comunidade de Palorinya foi oficialmente transferida da província do Sudão do Sul para a província do Uganda. A transferência ocorreu no domingo, 25 de janeiro, durante a celebração de uma solene Eucaristia presidida pelo padre Onzima Moses, sacerdote diocesano, nomeado pelo bispo pároco da subparóquia de Palorinya, em representação da diocese. Concelebraram o padre Gregor Schmidt (superior provincial do Sudão do Sul), o padre Kibira Anthony Kimbowa (superior provincial do Uganda), o padre Abraham Hailu, representante da comunidade comboniana de Parolinya, e o padre Ngbo Fufunga Justin (da comunidade de Lomin). Estiveram também presentes os outros dois membros da comunidade comboniana de Parolinya: o irmão Fischnaller Erich e o irmão Okello Lawrence. Participou na celebração sobretudo a comunidade local da subparóquia de Palorinya.
A presença dos missionários combonianos em Palorinya está ligada à chegada dos refugiados do Sudão do Sul. Os confrades, sobretudo da missão de Lomin (diocese de Yei), decidiram em 1987 acompanhar o povo até que este se estabelecesse definitivamente em Palorinya. Aqui, os combonianos assumiram a pastoral dos refugiados e criaram algumas oficinas para oferecer formação profissional à população. Tanto a atividade pastoral como o centro de formação tiveram um grande impacto na vida dos refugiados e da comunidade local. A assistência pastoral continuará nas 17 capelas situadas no grande campo de refugiados.
Os dois superiores provinciais, o padre Gregor e o padre Anthony, visitaram Mons. Sabino Ocan Odoki, bispo da diocese de Arua. Foi um encontro muito enriquecedor, durante o qual foi expresso grande apreço pela presença prolongada dos missionários combonianos ao lado dos refugiados de Palorinya. Foram então esclarecidos alguns aspetos da colaboração pastoral com a diocese.
Estamos gratos ao Senhor e a todo o Instituto por esta oportunidade de estar perto dos irmãos e irmãs que vivem no campo de refugiados, que são realmente um dos rostos mais concretos dos mais pobres e abandonados do nosso tempo.
Que a nossa presença e disponibilidade para caminhar com estes últimos da sociedade possam abrir novas portas de esperança para eles. (Padre Kibira Anthony Kimbowa, mccj)
OREMOS PELOS NOSSOS FALECIDOS
A MÃE: Lucinda, do irmão João Paulo da Rocha Martins (PT)
A IRMÃ: Inês, do padre Pino Mariani (I); Flora, do padre Musaka Zoé (E); Giuliana, do padre Stonfer Norberto (EGSD)
FREIRAS COMBONIANAS: Ir. Canali M. Antonietta (1); Ir. Sánchez Aragón María de la Luz (E); Ir. Bicego Agnese (I); Ir. Storato Maria Bertilla (EG/I); Ir. Papi Irma Maria (I); Ir. Gardini Angela (I); Ir. Rasia M. Agnese (I)