Terça-Feira, 30 de junho de 2026
O Centro Missionário Laudato Si’, em colaboração com a comissão ecológica da comunidade comboniana de Kinshasa, organizou um concerto para celebrar o papel dos guardadores que preservam e cuidam da criação.

Com a ajuda e a disponibilidade do coro «Afriquespoir», ligado aos Missionários Combonianos, o Centro Missionário Laudato Si’, em colaboração com a comissão ecológica da comunidade, organizou, a 27 de junho de 2026, um concerto de louvor a Deus pela criação.

De facto, o louvor é um dos pilares fundamentais da pastoral da Ecologia Integral. Só se reconhecermos que o Senhor é Criador e Senhor de todo o universo é que podemos compreender e agir como guardiões que preservam e cuidam da criação, colaborando ao mesmo tempo para cumprir o que o Senhor predisse desde o início dos tempos.

A atuação do coro manteve a atenção dos presentes muito elevada, interpretando com criatividade e ritmo acelerado canções tradicionais, clássicas e populares. O coro abriu o concerto com o hino do Centro Laudato Si’, intitulado «Senhor, louvamos-Te, Senhor, adoramos-Te pelas maravilhas que realizas», uma canção composta pelo irmão comboniano Alfred Mbungi, missionário em Buta.

Na última parte, o coro apresentou-nos a canção do falecido abade Makamba «po po botiaki ntembe?», que põe em luz a raiz dos males que colocam a criação em crise; recordando que, apesar de a natureza oferecer tudo à humanidade, ainda há muita fome e miséria no mundo, e sobretudo em África. Isto acontece porque uma minoria impõe um modelo tecnocrático, que impulsiona a produção sem limites e sem qualquer respeito pelo projeto providencial de Deus, que é o Pai de todos. Essa minoria destrói as florestas e polui os rios com produtos químicos, movida por uma ganância desenfreada. São pessoas que se apropriam indevidamente dos bens comuns e, com a arrogância da força e das armas, procuram apenas interesses e lucros particulares.

É por isso que o louvor ao Criador deve concretizar-se na vida quotidiana; tal como demonstraram a visão, a criatividade e a resiliência de alguns jovens e de algumas mulheres. Dino Zoli Mundele, em nome do grupo de jovens de Montngafula, partilhou connosco a experiência da recolha seletiva de resíduos, porta a porta. Jean Denis Djamba falou sobre a urgência de reduzir a utilização do plástico, um compromisso promovido pelos jovens do movimento Laudato si’.

O escolástico Denis Mbaiornom, em nome da comissão ecológica da comunidade, sublinhou o compromisso de reciclar e reutilizar pneus e outros objetos, a fim de diminuir a acumulação de resíduos. A senhora Mayawa Miriam dedicou-se à preparação de produtos biológicos para a higiene pessoal e a beleza da pele. Justin Bosenge Isakolota, com criatividade, consegue preparar o vinho «Wiva Kamouna» a partir de folhas de abacateiro, sem dúvida uma bebida especial a provar.

O missionário leigo comboniano Fabrice Aifa Wetu, em colaboração com a CENCO, está empenhado em reduzir e travar a desflorestação, consciente de que, sem florestas, a biodiversidade diminui vertiginosamente e de que não pode haver mais vida em abundância para as pessoas nem para os outros seres vivos. Por fim, o desejo de Luciana Mohila Mbongo, que promove o projeto «um rapaz – uma árvore» para plantar nesta cidade desolada de Kinshasa, que cresce de forma desproporcionada sem árvores nem espaços verdes.

Estes testemunhos, acompanhados de louvores a Deus, mostraram a cada um e a cada uma o caminho a seguir na sua vida e no seu quotidiano, adotando um modo de vida que respeite as leis da natureza e promova relações verdadeiramente fraternas, respeitando e valorizando as diferenças, tal como nos ensina a natureza, que é rica e bela graças à sua grande biodiversidade.

O último brinde de amizade, oferecido pelo Centro, encerrou o dia, marcando o encontro para as reuniões e iniciativas previstas para os próximos meses.

P. Fernando Zolli, MCCJ