Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
O padre Francisco José de Sousa Machado trabalhou como missionário no Gana – o seu «verdadeiro primeiro amor» – durante mais de duas décadas. Tudo corria lindamente até que um simples telefonema o transferiu para Moçambique como mestre no noviciado de Nampula.
Depois de uma visita um pouco prolongada à enorme escola da paróquia de Ola, no Gana, ainda antes do meio dia, recebi um telefonema do padre Elias Sindjalim, conselheiro geral. «Francisco, nós precisamos urgentemente de um mestre para os nossos noviços, em Moçambique. Queria perguntar-te se estarias disponível para aceitar este desafio.»
Um simples telefonema, que eu jamais imaginava e que propunha a minha transferência de uma das nossas missões no Gana para o noviciado em Nampula, Moçambique, foi suficiente para criar em mim uma certa inquietação e provocar um certo receio. Acho que era apenas uma clara manifestação de um certo medo da mudança que parecia avizinhar-se e que eu não desejava.
«Mas que surpresa e que chatice», pensei eu imediatamente. Não esperava nem desejava deixar o Gana tão inesperadamente. O Gana, sem qualquer dúvida, era o meu verdadeiro primeiro amor!
Na verdade, eu sentia-me muito bem integrado na província do Togo/Gana/Benim onde já trabalhava desde 1994 e onde estava a realizar uma verdadeira e bonita experiência de missão. Confesso que, depois de receber esse telefonema, tentei esquivar-me. Não é que eu sentisse medo do desafio. Contudo, inundava-me uma profunda surpresa e incompreensão pela proposta.
Honestamente, não desejava acreditar no que tinha ouvido. Pois não esperava que o Instituto me pedisse um serviço de tão alta exigência e, sobretudo, que exigisse o meu abandono do Gana. Sim, eu estava bem consciente da importância do noviciado na formação dos futuros missionários combonianos. A nossa Regra de Vida é clara: «O Noviciado constitui a primeira experiência profunda do modo de vida dos Missionários Combonianos e tem como finalidade de preparar o candidato para a consagração a Deus para o serviço missionário.»
Embora sem uma grande convicção, a resposta que eu dei ao padre Sindjalim foi muito breve e concisa: «Verdadeiramente, eu não estava à espera e não desejaria abandonar a minha atividade missionária no Gana. Contudo, se é assim tão necessário que eu abandone o povo que sirvo neste momento, eu estou disponível.»
Depressa vi que a minha resposta tinha sido demasiado automática e pouco ou nada ponderada. Não esperava o que senti nos dias seguintes. Jamais imaginava que me fosse assim tão difícil deixar o Gana. Eu amava a minha missão. Amava o povo para onde tinha sido enviado em 1994. Tinha sido a minha primeira missão ad gentes.
Todavia, a necessidade de participar neste desafio do envolvimento direto na formação de novos missionários combonianos apresentava-se como um projeto fascinante e cheio de oportunidades.
Depois de várias dificuldades e contratempos relacionados com a saída do Gana, a minha despedida foi bastante penosa. Contudo, sentia uma grande paz e, sobretudo confiança em Jesus e também no serviço que Ele agora me pedia através da minha família missionária. Eu sabia que o Senhor me ajudaria a deixar o povo que Ele mesmo me tinha confiado e a desligar-me de amizades tão fortes.
Parti com muita confiança e entusiasmo. A minha chegada a Nampula, Moçambique, no dia 18 março de 2026, foi muito agradável e serena. Sim, senti-me em casa imediatamente. Fiquei muito feliz por encontrar o P. José Joaquim Luis Pedro, superior provincial e o irmão Agostinho Jamal, meu novo companheiro de comunidade com os 13 noviços que já me aguardavam há mais de uma semana para iniciar a sua experiência de noviciado.
Senti-me suficientemente bem, livre e sereno para poder iniciar este meu novo serviço missionário, como mestre dos noviços. Pois esta também será uma fase muito importante e cheia de oportunidades para mim.
Estou grato ao Senhor pelo precioso dom da minha vocação e das vocações dos jovens que caminham agora comigo. Olho para o futuro com confiança e otimismo. À luz da minha experiência desejo fazer um caminho atento à realidade do mundo juvenil de hoje, procurando compreender os jovens que o instituto coloca também aos meus cuidados e que são chamados à vida missionária. Com a graça de Deus e ajuda dos membros da minha comunidade, procurarei acompanhar estes jovens e discernir juntamente com eles a vontade de Deus para as suas vidas.
P. Francisco Machado, mccj