Terça-feira, 18 de agosto de 2026
O Padre Giorgio Padovan, comboniano que trabalhou 25 anos no Brasil e está na Cúria, em Roma, para a animação missionária, Alessandra Bybel, do grupo Amigos dos Missionários Combonianos de Roma, e Emanuele Giulietti, do Centro Missionário Diocesano (CMD) de Roma, estiveram de 28 de julho a 12 de agosto, em Santa Rita e em Fortaleza, no Brasil, para preparar a experiência missionária de três semanas para 15 jovens da pastoral juvenil e universitária de Roma para o verão de 2027.
Há poucos dias retornamos à Itália vindos do Brasil. Uma viagem de descoberta, de pesquisa e de conhecimento da realidade nordestina que acolherá um grupo de jovens que, da diocese de Roma, partirá no próximo verão para fazer uma experiência de missão de cerca de três semanas.
Primeiro Santa Rita, município na região de João Pessoa, depois Fortaleza: dois contextos muito diferentes e, ao mesmo tempo, unidos pela mesma paixão com que os missionários combonianos operam diariamente, compartilhando passos e fadigas, lutas e alegrias das comunidades a eles confiadas.
Vivemos dias preciosos no centro do Projeto Legal, uma realidade que nasceu no bairro de Marcos Moura, em Santa Rita, e que se tornou um farol para crianças e jovens, um «viveiro de esperança» para combater o abandono escolar em um bairro onde as drogas e o narcotráfico não deixam alternativas a um futuro feito de facções, prisão e mortes prematuras.
«Legal» em português brasileiro significa literalmente legal (respeito às regras e ao Estado de Direito), mas na gíria juvenil significa principalmente «bonito, forte, bacana» (ou «da hora»). O objetivo é inverter o imaginário dos jovens: fazer com que entendam que ficar do lado da justiça e da legalidade é «mais bacana» do que imitar os narcotraficantes. O slogan histórico cantado pelos jovens se tornou: «Sou 100% Legal».
Na precariedade dessas ruas nascem o Centro de Direitos Humanos Oscar Romero (CEDHOR) e a cooperativa dos catadores, os coletores de materiais recicláveis que se tornam símbolo de luta e de defesa da dignidade do ser humano e de seu direito ao trabalho.
Também participar das Santas Missas na paróquia de Santa Rita, no estilo de uma comunidade de comunidades, ver o trabalho de pastoral de periferia e entre os pobres, nos enriqueceu e contagiou, com sua liturgia feita de cantos, participação, partilha e acolhimento. Um celebrar que une fé e vida, Palavra de Deus e realidade. Fazer parte da comunidade ajuda as pessoas a crescer na fraternidade e na dignidade, sentindo-se promotoras de vida e paz.
Após um percurso de onze horas de ônibus, chegamos a Fortaleza, onde passamos os últimos dias de nossa viagem conhecendo o Movimento de Saúde Mental (MSM).
Nascido nas favelas da grande cidade cearense, o MSM desenvolve uma multiplicidade de serviços voltados ao cuidado da pessoa através de uma abordagem socioterapêutica que abrange todas as dimensões do indivíduo (humana, social, espiritual) e de seu contexto comunitário.
Compartilhamos um dia inteiro com o povo indígena Pitaguary, passando por suas casas, ambiente e cotidiano. Eles cuidaram de nós e compartilharam seu caminho com simplicidade e liberdade, com atenção e ternura.
Foram dias intensos de encontro, escuta e partilha profunda através de palavras mal pronunciadas e pequenos gestos capazes de superar qualquer barreira linguística.
Não fomos para levar nada ou para fazer algo, mas para nos imergir nessa realidade, para encontrar pessoas, para abraçar e sorrir, para sermos acolhidos e hospedados. Isso nos fez bem, tocou nossa cabeça, nosso coração, nosso modo de ver e sentir; foi um tocar com as mãos um novo modo de ser Igreja, de ler a Palavra de Deus, de rezar, de viver a fraternidade e a solidariedade.
E isso foi possível graças à grande disponibilidade e dedicação dos padres e irmãos combonianos, dos leigos e amigos dos projetos, da gente simples das comunidades. A eles, o nosso obrigado e gratidão.
O retorno após essa experiência acontece fora de sincronia: a cotidianidade nos pressiona na chegada, enquanto a mente continua habitando os espaços que nos acolheram… com saudades e carinho.
Alessandra, Emanuele, e padre Giorgio