Quarta-feira, 28 de outubro de 2026
O irmão comboniano Konrad Tremmel dedica-se há muitos anos à promoção da formação profissional em África. Depois de ter trabalhado em projetos no Quénia e no Malawi, dirige atualmente uma escola de formação profissional em Layibi, no norte do Uganda, com o objetivo de preparar profissionais locais qualificados para que possam assumir a sua gestão no futuro, apesar das inúmeras dificuldades.
Este ano, infelizmente, o número de alunos da nossa escola profissional diminuiu consideravelmente, porque muitos jovens já não conseguem pagar as propinas. Graças aos donativos que recebemos, procuraremos ajudar, tanto quanto possível, alguns dos alunos que já se encontram no último ano de formação.
As queixas são cada vez mais numerosas, pois os pais simplesmente não conseguem suportar os elevados custos da formação profissional. Como outras escolas técnicas cobram propinas mais baixas, também nós fomos obrigados a reduzir as nossas.
No entanto, importa salientar que a nossa formação técnica é, sem dúvida, mais eficaz do que a oferecida por outras escolas. Dá maior importância à aprendizagem prática, o que também implica custos mais elevados.
Programa alternativo de formação
Para aqueles que não possuem um certificado escolar reconhecido, desenvolvemos um programa alternativo de formação que inclui cursos de carpintaria, serralharia e alvenaria. Este programa destina-se sobretudo a mães jovens e a jovens com deficiências ligeiras ou que sofreram experiências traumáticas.
Continuamos a apostar neste tipo de formação não formal, em parte porque os custos são muito mais baixos e porque nos permite chegar, sobretudo, aos setores mais desfavorecidos da sociedade, que necessitam particularmente do nosso apoio. Tendo em conta os elevados níveis de pobreza no Uganda, estas vias alternativas de formação são também uma opção atrativa.
Um grande número de formandos beneficia desta oportunidade. Além disso, este tipo de formação é financiado predominantemente por organizações locais. A maioria daqueles que recebem formação profissional através destes programas consegue posteriormente encontrar emprego nas empresas industriais da região.
Isto proporciona a muitos jovens melhores perspetivas para construírem o seu futuro e permite às suas famílias obterem rendimentos próprios, contribuindo assim para quebrar o ciclo da pobreza. Contudo, este tipo de aprendizagem profissional, que dura apenas alguns meses, nunca poderá substituir uma formação completa de dois anos.
Infelizmente, estamos a enfrentar dificuldades cada vez maiores com as autoridades governamentais. Os funcionários não levam as suas responsabilidades a sério e perdem documentos importantes que lhes entregámos.
Há um ano que a formação em algumas das nossas áreas técnicas, como a alvenaria e a canalização, deixou de ser oficialmente reconhecida, apesar de ensinarmos estas especialidades na nossa escola há muitos anos.
Na prática, isto significa que os nossos formandos têm de se inscrever numa escola pública para fazerem os exames, o que representa despesas adicionais e uma considerável perda de tempo. As escolas privadas como a nossa deixaram de ser toleradas pelo Governo e, por isso, provavelmente teremos de procurar alternativas.
É evidente que o Governo se sente incomodado pelo facto de as escolas privadas disporem, em geral, de melhores instalações, gozarem de boa reputação junto da população e serem, por isso, muito mais procuradas.
Além disso, como a formação técnica oferecida por estas instituições é também muito mais eficaz do que a ministrada nas escolas públicas, o Governo coloca-nos todo o tipo de obstáculos.
Vários contratos importantes
Apesar destas dificuldades, este ano voltámos a assumir vários contratos importantes nas oficinas de produção ligadas à nossa escola.
Entre outros trabalhos, renovámos o jardim de infância de Santa Bakhita, em Gulu. Produzimos equipamentos e mobiliário para o seminário diocesano de Alokolum e para o hospital de Matany, e fornecemos mobiliário escolar ao lar infantil de Santa Clara, no norte do Uganda.
Os nossos formandos e colaboradores começaram a construir habitações e fizeram os trabalhos preparatórios para a construção de um laboratório em Omiya Anyima, no distrito de Kitgum. As obras do laboratório encontram-se agora numa fase avançada.
Todos estes projetos ajudam a garantir à nossa escola rendimentos mais consistentes e seguros. Permitem-nos também transmitir os nossos conhecimentos e a nossa experiência às empresas locais, ao mesmo tempo que proporcionam aos nossos formandos uma valiosa experiência prática.
Quero agradecer a todos aqueles que, na nossa terra de origem, apoiam, através dos seus donativos, o nosso empenho em construir um futuro melhor para as pessoas desta região.
Ir. Konrad Tremmel, mccj – Comboni-Missionare