In Pace Christi

Bandera Gian Paolo

Bandera Gian Paolo
Data de nascimento : 05/05/1922
Local de nascimento : Busto Arsizio/VA/Italia
Votos temporários : 07/10/1942
Votos perpétuos : 07/10/1947
Data de ordenação : 06/06/1948
Data da morte : 11/11/2011
Local da morte : Verona/Italia

Nascera em Busto Arsizio, província de Varese, a 5 de Maio de 1922. Depois do noviciado em Venegono e o escolasticado em Verona, foi ordenado sacerdote a 6 de Junho de 1948, aos 26 anos. Passou em Itália os primeiros 13 anos, predominantemente como director espiritual. Depois foi destinado ao Brasil, onde passou cerca de 40 anos de vida.

Chegou ao Brasil em 1962, quando a província estava a investir muito – sobretudo pela pressão e a convicção pessoal do então provincial P. Rino Carlesi – na formação dos jovens e nos seminários. No estado do Espírito Santo, uma zona de imigração italiana, via-se o lugar ideal para lançar a semente da vocação missionária. O P. Paolo parecia o homem ideal. Pela sua profundidade e a sua intensa vida interior, era o exemplo do padre espiritual que parecia indispensável a estruturas daquele tipo. De facto, após um ano de conhecimento da realidade brasileira, foi mandado em 1963 para o seminário de Ibiraçu, acabado de construir, em Conceição da Barra, no nordeste do estado. Estava tudo nos inícios. O seminário estava a abrir as suas portas (foi inaugurado oficialmente em 1964). Eram muitas as expectativas e as esperanças; foi inclusive preparada uma visita especial do superior geral P. Gaetano Briani. Havia muito entusiasmo à volta daquele projecto. Paolo pelo contrário apercebe-se de imediato que alguma coisa não estava bem. Era um seminário demasiado estruturado, com uma formação demasiado europeia num ambiente que de europeu tinha bem pouco. Pediu para se ir embora. Foi substituído pelo P. Pietro Bracelli que, a partir daquele momento, lhe foi muito chegado, sobretudo nos anos em que foi provincial do Brasil Sul. O P. Paolo foi mandado para Mantenópolis, uma paróquia daquele mesmo estado mas numa zona difícil e com um trabalho tradicional, de pouca evangelização e muita sacramentalização. Aí permaneceu durante três anos, entre 1964 e 1967. Em 1968 encontrámo-lo em Gerônimo Monteiro, num outro seminário que estava a abrir as suas portas e que reproduzia as dificuldades de Ibiraçu. Entre 1969 e 1971 permaneceu em São José do Rio Preto, num outro seminário, o quarto que o P. Carlesi tinha projectado em poucos anos. Carlesi julgava que este fosse o caminho para consolidar a presença comboniana no Brasil. A história demonstrou que se tinha enganado e o P. Paolo sentia-o nas suas reacções emotivas. Entre 1972 e 1976 estabeleceu-se no Rio de Janeiro, num colégio de religiosas, onde fazia de assistente espiritual e onde podia receber amigos e familiares de combonianos que vinham visitar os seus filhos ou parentes. Mas nem ali se sentiu bem. Encontrámo-lo depois em Gerônimo Monteiro, em Água Doce, em Brasília, em São Paulo, de novo em Brasília, na Cúria em Roma, em São José do Rio Preto, de novo em Itália, em São Mateus, de novo em Brasília, em Belo Horizonte, em Lages, em Porto Velho, em Curitiba, em Pedro Canário, em São Paulo e, de 2004 em diante, em Itália.

Este foi o P. Paolo. Um homem de uma grandíssima humanidade, de uma grande riqueza espiritual, mas também um homem inquieto, como confirmam as suas numerosas deslocações. Os confrades sabiam destas suas dificuldades, mas acolhiam-no sempre de boa vontade porque em comunidade nunca criava problemas. Pelo contrário, era muito atencioso. Gostava de se ocupar da logística ou de algum serviço em casa. Gostava de ir ao mercado, ocupar-se das refeições e das limpezas. Fazia-o com uma dedicação exemplar. Queria que as divisões da casa estivessem sempre em ordem, a capela cuidada, a cozinha fornecida. Fazia questão que a alimentação fosse preparada com esmero. Achava que o cuidado da casa, da alimentação, das pequenas coisas fossem formas concretas de criar comunidade. Perturbavam-no visivelmente a superficialidade das relações e sobretudo o desleixo, a falta de comunicação que impedia, por exemplo, que um hóspede fosse acolhido com atenção.

Apesar de não ter sido nunca um homem de ponta, o P. Paolo foi, no grupo dos combonianos da zona, dos mais abertos, coisa que era reconhecida também por aqueles que faziam maior pressão em ordem à renovação. Era um homem honesto e correcto. A gente apreciava a sua simplicidade e generosidade. E também a qualidade do seu serviço pastoral. Nunca improvisava uma homilia ou uma celebração: escrevia-as, mesmo se as tinha de fazer para duas ou três pessoas da comunidade.

Foram estas suas características que o tornaram um homem apreciado e estimado por todos. Quando começou a deixar de ouvir, pôs-se de parte ainda mais do que antes. Viveu este problema com profundo desconforto. Sabia não conseguir mais acompanhar um debate. Pedia que não o obrigassem a participar em reuniões, sobretudo nas comunidades e com as gentes.
Sentia-se cada vez mais à sua vontade em casa, entre os livros, nas lides domésticas, nas bibliotecas, nos arquivos, catalogando documentos, ajudando a organizar os serviços burocráticos, ainda que se tratasse apenas de facilitar o trabalho de quem dependia daqueles documentos. Esta foi a sua ocupação principal, a partir de 2004, em Roma e em Verona. (P. Giovanni Munari)