O Ir. Mário Rossignoli nascera a 2 de Agosto de 1932 em Oppeano (Verona). Depois do liceu clássico, entrou no Instituto Comboniano. Na realidade, queria ser sacerdote, mas depois, por várias razões, escolheu tornar-se Irmão. Será construtor, professor, catequista, mas também grande animador vocacional. Gostava de dizer: «A missão encheu-me a vida até ao mais profundo».
Depois de Verona (1953-54), Thiene (1954-1955), de novo Verona e Gozzano (1955-1956), fez o noviciado em Florença. Emitiu os primeiros votos a 25 de Março de 1958 e os perpétuos a 9 de Setembro de 1962.
Em 1958 o Ir. Mário foi mandado para a Grã-Bretanha para a construção do seminário menor de Mirfield. Naquele período o Instituto tinha organizado uma esquadra de Irmãos encarregados da construção de casas e seminários em vários países. «Recordo – conta o P. Enrico Redaelli – de ter encontrado, anos depois, o mestre-de-obras local. Falava ainda com entusiasmo e admiração daqueles Irmãos que, de manhã, se levantavam muito cedo para as orações e a santa Missa, tomavam o pequeno-almoço e logo a seguir trocavam de roupa para iniciar a sua actividade. Quando ele chegava, já tinham feito muito trabalho».
Em 1961 o Ir. Mário foi durante algum tempo para Verona, para o departamento «Nigrizia» e, de 1963 a 1965 para Londres, encarregado da administração de «Missions» e do departamento de propaganda. Foi naquele período que começou a desenvolver o seu interesse pela animação missionária e vocacional.
Entre 1965 e 1971 trabalhou no Uganda, na região do West Nile, primeiro em Otumbari e depois em Ajumani. «O Ir. Mário foi uma bênção – escreve o P. Phillip Andruga – e um bom amigo para muitos, especialmente para os jovens com quem fazia um caminho na direcção espiritual e vocacional. Tinham-no apelidado de Irmão Kaffifi, que quer dizer «luz».
Em 1972, regressou a Itália, a Bari, ao centro de Animação Missionária, onde permaneceu até 1979, procurando «animar» os Irmãos a apreciar este tipo de trabalho no Instituto. Lemos a propósito numa sua carta, publicada no MCCJ Bulletin n. 119, escrita precisamente a partir de Bari em 1978. «Gostaria de convidar todos os Irmãos (jovens e menos jovens) que sentem muito entusiasmo pela sua vocação e pela sua maravilhosa experiência missionária: detende-vos algum tempo em pátria a comunicar este entusiasmo aos jovens, a contagiá-los com a vossa alegria de dar-
-vos. Os jovens querem testemunhos vivos».
Em 1979 foi destinado novamente ao Uganda, à diocese de Arua, e trabalhou em Moyo como encarregado da casa, até 1981. Após um par de anos em Juba, no Sul do Sudão, no fim de 1982 foi chamado de novo a Itália e dedicou-se, durante cerca de dez anos, à promoção vocacional e ao empenho nos GIM de Pádua e depois de Lecce.
Foi, depois, novamente destinado ao Sul do Sudão, onde trabalhou como encarregado da casa e também como promotor vocacional durante outros 22 anos: primeiro em Juba, depois em Pakele-Kocoa, em Moyo (Centro Vocacional), em Lomin (Kajo Keji), em Agang-Rial, em Yirol e de novo em Juba.
Em 2007 o Ir. Mário regressou definitivamente a Itália. Durante a viagem de regresso era acompanhado pelo P. Luciano Perina o qual conta que, no aeroporto, o Ir. Mário não se tinha sentido bem e respirava de forma ofegante pelo que se tinha sentado junto à porta de entrada para tomar ar, pedindo desculpa a todas as pessoas que passavam. No momento do check-in, perante o funcionário encarregado do controlo das bagagens, o P. Luciano apercebeu-se que as malas estavam fechadas à chave e que a chave, estava com o Ir. Mário, o qual naturalmente estava ainda sentado à entrada da grande sala, cheia de gente que ia e vinha. Quando o
P. Luciano o fez presente ao funcionário, este, procurando ver de longe quem era o «doente», reconheceu o Ir. Mário e disse: «Conheço aquele homem muito bem. Veio a minha casa muitas vezes, ensinou-me muitas coisas boas, baptizou o meu filho, é um santo homem». Assim, ao recordar a gentileza e a simpatia do Ir. Mário, o seu zelo pelo Senhor e pelo bem da gente, em vez de controlar a malas… levou-as ele mesmo ao lugar de carga, prontas para ser colocadas no avião! Assim, o P. Luciano e o Ir. Mário puderam prosseguir o seu voo. Fizeram escala em Addis Abeba e, ao ter de esperar cinco horas, foram comer. Enquanto comia uma sopinha, o Ir. Mário disse: «Sinto-me muito melhor. Podemos voltar para traz, para Juba? Tenho apenas 75 anos e, mesmo se não posso fazer muitas coisas, estarei com os meus confrades e rezarei por todos!».
Em Itália, foi para Verona, depois para Arco e em 2012 de novo para Verona, para tratamentos: «Quando me apercebo que está a chegar o sofrimento – dizia – tenho diante de mim três opções: posso revoltar-me, posso suportá-lo, ou posso aceitá-lo como dom e agradecer a Deus. Posso escolher tomar este cálice, com coragem. Não me entendam mal. O cristão não deve procurar o sofrimento, mas diante dele tem a possibilidade de aceitá-lo como dom, como fez Jesus». O Ir. Mário faleceu em Verona a 5 de Janeiro de 2014.