Quinta-feira, 14 de Maio de 2026
O padre Manuel Augusto Lopes Ferreira, missionário comboniano, é o novo director das Obras Missionárias Pontifícias (OMP), em Portugal. Foi designado para um mandato de cinco anos. O missionário, em declarações à Agência Ecclesia, ontem, em Fátima, alertou para risco de
«a Igreja em saída se ficar só por palavras» e assumiu que «quer dar um impulso à missão das comunidades».

“Eu pensei que na minha idade já não me iam pedir isto, pediram e eu com naturalidade aceitei, com o desejo de simplesmente de estar disponível para dar um contributo a esta promoção da comunhão entre as igrejas locais e a Sé apostólica, para reavivar o espírito missionário das nossas comunidades”, afirmou.

Padre Manuel Augusto Lopes Ferreira (na foto, ontem em Fátima) é o novo director das Obras Missionárias Pontifícias (OMP), em Portugal.

De acordo com a Agência Fides, o Dicastério para a Evangelização (Santa Sé) nomeou o padre Manuel Augusto, de 76 anos, para o cargo de diretor nacional das OMP, em fevereiro deste ano, para um mandato de cinco anos (2026-2031), sucedendo ao padre José António Mendes Rebelo, também ele comboniano.

Na 214ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em abril, os bispos congratularam o novo responsável pela designação para o serviço que agora abraça.

O padre Manuel Augusto olha para a função das Obras Missionárias Pontifícias como a promoção da comunhão “que leva a um empenho missionário”, destacando que, felizmente, vive-se hoje uma Igreja que se pensa “em saída”, citando o Papa Francisco.

“Mas, de facto, corremos o risco de ficar só pelas palavras. As Obras Missionárias têm esta função de animar e de promover iniciativas concretas, portanto, que começa com a animação para o Dia Missionário Mundial, em Outubro, mas com muitas outras. Portanto, para manter vivo o espírito missionário”, disse.

Apesar do passado missionário português ser “grande”, o missionário comboniano observa que no presente a realidade é diferente, realçando que as necessidades estão a consumir as energias.

“Temos que dar resposta ao desafio missionário aqui, mas não podemos esquecer o horizonte universal. E, portanto, não podemos esquecer a comunhão que devemos ter com o Santo Padre na promoção da Missão Universal da Igreja”, enfatizou.

Questionado sobre o desejo de missão de alguns padres diocesanos, o novo diretor nacional das OMP considera este “um sinal muito bonito” e “muito positivo” os sacerdotes decidirem sair “das próprias igrejas e fazerem uma experiência” missionária.

“Temos que promover para que isso continue e para que aqueles que assumem a missão universal, os tradicionais institutos missionários, possam ser percebidos pelas comunidades eclesiais como uma expressão deste empenho missionário. E acariciados neste aspeto”, defendeu.

O padre Manuel Augusto nasceu a 20 de janeiro de 1950, em Arcozelo das Maias, no concelho de Oliveira de Frades, na Diocese de Viseu.

De acordo com o jornal ‘Voz da Verdade’, o sacerdote foi diretor das revistas missionárias combonianas em Lisboa (Além-Mar e Audácia) e da World Mission, publicada pelos Missionários Combonianos em Manila, nas Filipinas.

O padre Manuel Augusto realizou missão no Quénia, onde dirigiu o Centro Internacional para os Irmãos em Nairobi (1984-1988), e nas Filipinas. Foi também Superior Geral dos Missionários Combonianos (MCCJ) de 1997 a 2003.

Dirigiu o Studium Combonianum, o Gabinete de Investigação Histórica dos Missionários Combonianos, de 2015 a 2025 em Itália, primeiro em Limone sul Garda e depois em Roma.

PR/LJ/OC – Ecclesia