Quinta-feira, 24 de agosto de 2026
No domingo, 27 de setembro, a Igreja celebra o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. A mensagem do Papa para este Dia, intitulada «Mesmo uma só destas crianças», põe a tónica nas múltiplas dificuldades que milhares de crianças enfrentam e que, sozinhas ou acompanhadas pelos pais, se veem obrigadas a abandonar a sua terra de origem por razões económicas, situações de guerra ou necessidades de toda a espécie.
A mensagem convida-nos, na nossa vida pessoal, «a abrir os olhos e o coração para escutar em profundidade a sua história, os seus medos e os seus sonhos, superando aquela indiferença que reduz o ser humano a um dado estatístico que não nos afeta diretamente». São pessoas com nome e apelido, rostos concretos, como diz o Papa, que interpelam as nossas consciências.
O Papa Francisco dizia que o maior pecado da sociedade atual é a indiferença. Permanecer insensíveis perante esta tragédia – e ainda mais quando os afetados são crianças – é desprezar o próprio Deus, porque «quem rejeita um só destes mais pequeninos, rejeita-me a mim».
A mensagem convida também a comunidade eclesial a «transformar a hospitalidade, de um conceito abstrato, numa prática pastoral constante.
Não podemos limitar-nos a delegar esta tarefa em instituições ou associações dotadas de um carisma específico: perante os rostos concretos que nos interpelam no dia a dia, toda a comunidade cristã é chamada a senti-los como seus próprios filhos e a aproximar-se da história concreta de cada um».
Como comunidade cristã enraizada no Evangelho, que nos convida a acolher o estrangeiro, a vestir quem está nu e a dar de comer a quem tem fome, porque nele encontramos o próprio Jesus, temos também a responsabilidade de motivar e até exigir às instituições políticas e sociais que não desviem o olhar.
Que assumam a sua responsabilidade de responder às necessidades urgentes dos migrantes e refugiados, tanto quando chegam como nos seus lugares de origem, fazendo tudo o que for possível para eliminar as causas que os obrigaram a partir.
Nas nossas revistas e nos nossos meios de comunicação combonianos, queremos chamar a atenção para um fenómeno que, infelizmente, se está a alastrar cada vez mais por todo o nosso planeta.
Um caso concreto que merece ser contado é a experiência vivida por uma comunidade cristã acompanhada pelos Missionários Combonianos no leste da República Democrática do Congo; porque um testemunho direto, vivido na própria pele, fala mais e melhor do que todos os discursos que possamos fazer.
Não se trata apenas da experiência daqueles que são obrigados a fugir, mas também da vivência daqueles que, fiéis à sua fé cristã, estão dispostos a acolher «os mais pequeninos», como diz Jesus: «Sempre que acolheis um destes meus irmãos mais pequeninos, é a mim que acolheis».
Embora hoje já não seja um tema tão atual como foi há alguns meses, o problema migratório no México, de onde escrevo, continua a ser urgente.
Por outro lado, as guerras na Ucrânia, no Irão, na Palestina, na região dos Grandes Lagos, no Sudão, no Sudão do Sul e em tantos outros lugares; os fluxos migratórios que continuam a ocorrer no mar Mediterrâneo – como demonstra o recente caso do enclave espanhol de Ceuta, em Marrocos – ou as constantes chegadas de migrantes africanos às costas europeias convidam-nos a continuar de olhos abertos perante uma realidade que clama aos céus, porque são milhões as pessoas que continuam a bater à nossa porta e que merecem ser acolhidas como os irmãos mais pequeninos de Jesus.
Padre Ismael Piñón, mccj