Terminada a escolarização obrigatória, Giuseppe Di Gennaro entrou no Seminário diocesano com a intenção de ser sacerdote. Atendendo ao testemunho do reitor, sabemos que o caminho formativo do nosso jovem foi sereno e muito empenhado, quer em proveito escolar, quer em boa conduta e piedade.
Naquele tempo (1942) os Seminários de Itália eram frequentados pelos missionários que faziam animação vocacional. O seminarista Di Gennaro deixou-se conquistar pela ideia missionária e, a 1 de Agosto de 1942, escreveu ao Superior-Geral dos Combonianos: «Eu, abaixo-assinado, seminarista Giuseppe Di Gennaro desejo entrar para as vossas fileiras apostólicas. Superei o exame de admissão ao liceu e tenho 18 anos.
Peço-lhe para me indicar o caminho a seguir. Convicto de que a vossa paterna bondade não me irá negar nada, beijo-lhe a mão e manifesto-me obedientíssimo filho de Vossa Excelência, em Jesus Cristo...». O seu pai, Raffael, e a sua mãe, Giuseppina Infinito, aceitaram com fé a opção do filho e deram-lhe a sua bênção. Na carta de apresentação, o seu pároco afirma que «Giuseppe foi sempre um exemplo muito edificante com a sua conduta moral, com a sua compostura, seriedade e prudência. Goza da estima geral de toda a povoação; fez muito bem no apostolado paroquial entre os pobres, além de que serviu sempre ao altar com grande amor e precisão».
No Verão de 1942, portanto, Giuseppe entrou no noviciado de Florença, onde era Mestre de noviços o padre Stefano Patroni. Foi um encontro feliz, porque o jovem seminarista absorveu com simplicidade e amor o bom espírito que o seu santo Mestre lhe transmitia. Era tempo de incursões aéreas, de guerra, de fugas para o refúgio e de... escassez de alimento. A 7 de Outubro de 1944, Giuseppe emitiu os primeiros votos, passando depois os dois anos no escolasticado filosófico de Rebbio. Foi para Verona em Junho de 1946 e, a 3 de Junho de 1950, foi ordenado sacerdote. Após a ordenação, foi enviado para Pesaro como animador vocacional. Ele palmilhou toda a zona à procura de rapazes dispostos a serem missionários, mas entretanto importunava os superiores para que o mandassem em missão.
Soou também para ele a hora da partida. A sua actividade missionária desenrolou-se em duas etapas: a primeira, no Sudão meridional desde 1955 a 1964; a segunda, no Congo, de 1974 a 2005.
A etapa sudanesa, em especial, reservou-lhe muitas tribulações. Os missionários eram consumidos pela guerra, desprovidos de recursos, com muitas missões que precisavam de serem restauradas ou reconstruídas. O padre Di Gennaro arregaçou as mangas e pôs em acção todo o seu entusiasmo. Escrevendo de Naandi, a 27 de Agosto de 1963, disse «Eis-me em Naandi sozinho como um monge. Moral alta: procuro aguentar os golpes. Sinto no coração uma grande gratidão para com o Senhor por me ter presenteado com dias de vida missionária como estes. Espero conseguir vivê-la até que o Senhor queira.» Tinham começado já as expulsões dos missionários do Sudão meridional e a Igreja vivia tempos de perseguição. Os missionários viviam todos numa certa tensão. Por isso o padre Di Gennaro pediu licença ao Superior Geral para fumar um cigarro por dia, «em caso de necessidade para acalmar os nervos» e para acelerar os turnos de férias «senão acabaremos todos no manicómio».
Foi coadjutor em Tombura e em Naandi, professor em Mupoi e depois superior local em Naandi. Depois da expulsão em massa dos missionários e das religiosas do Sudão meridional (1964), o padre Di Gennaro foi enviado para Bari. Esta missão não foi menos difícil do que a africana. Inicialmente teve de se ocupar da compra de um terreno para construir a nova sede dos Combonianos. Depois, teve de enfrentar o novo método de formação dos jovens. Em 1971, conseguiu ir para Nápoles, onde permaneceu como animador missionário até 1974. Nesse período licenciou-se em teologia no Angelicum.
A segunda etapa da sua vida missionária foi no Congo. Dakwa, Rungu, Dungu, Kinshasa, Rungu, Kingabwa foram as missões onde exerceu o seu ministério como pároco, docente, formador no Seminário, professor, promotor vocacional, responsável pelo ministério. O ministério missionário do padre Di Gennaro foi caracterizado pelo entusiasmo, pelo optimismo e pelo amor às pessoas. Ele amou deveras os africanos e compreendeu-os também nas suas limitações, dissimulando as fraquezas sob o manto da caridade. Quando a saúde começou a fraquejar, teve de voltar para Itália. Mas, sentindo-se ainda bastante bem, foi para Casavatore, Nápoles, onde pôde ser útil como confessor e encarregado do ministério.
A morte, causada por um cancro, colheu-o a 11 de Junho de 2006 enquanto era levado para o hospital. Agora repousa no cemitério da sua terra natal, Scisciano, onde também se realizou o funeral.
O padre Di Gennaro deixa a recordação de um missionário entusiasta da vocação, apegado à missão e de coração grande especialmente em relação aos africanos: um verdadeiro filho de Comboni.