«O P. Giocondo era o homem da Palavra – escreve o P. Jeremias dos Santos Martins – e fez da Palavra o centro da sua vida. Viveu anos intensos de missão, em Moçambique, onde faleceu depois de quase 50 anos de trabalho neste país. Viveu o sofrimento da guerra e gozou o tempo da paz, sempre perto do povo, muito inserido».
Filho de Angelo e de Milena Mantiero, o P. Giocondo nasceu a 8 de Agosto de 1939 (ainda que no Registo Civil conste ter sido no dia seguinte) e foi baptizado no dia 10 seguinte. Provinha de uma família de oito irmãos, dos quais uma religiosa, a irmã Flavia, e quatro Missionários Combonianos: além de Giocondo, fazem parte do Instituto a irmã Celina e os irmãos gémeos Rinaldo e Sergio (falecido no México em 2013). Os outros irmãos são Galdino, Fedele e Bruno.
Em Outubro de 1950 Giocondo entrou no Seminário Menor dos Combonianos de Pádua, onde frequentou o 2º Ciclo do Ensino Básico. Em 1953 passou para Brescia para o 3º Ciclo e em 1955 entrou no noviciado de Florença. Dia 7 de Dezembro de 1956 foi enviado a continuar o noviciado em Portugal, onde a 9 de Setembro de 1957 fez a sua primeira profissão religiosa.
Em 1958 voltou a Verona para o Ensino Secundário e em 1959 foi para Roma para os estudos de Filosofia. Aqui manifestou-se uma doença pulmonar que o obrigou a permanecer durante cinco anos em Arco (Trento) para tratamentos hospitalares, e aí, dia 9 de Setembro de 1963, fez a profissão perpétua. A sua saúde melhorou e em 1965 voltou a Verona para a Teologia, mas em 1966 teve de regressar a Arco para continuar os tratamentos. Em 1968 passou para Venegono Superior (Varese) para os estudos teológicos, e a 14 de Julho daquele mesmo ano foi ordenado sacerdote na sua paróquia de Novoledo, pelas mãos do bispo de Vicenza, D. Carlo Zinato.
De 1969 a 1971 permaneceu em Rebbio (Como), como encarregado da formação no Seminário Menor, e em 1972 voltou a Portugal para aguardar o visto de entrada para Moçambique, então colónia portuguesa.
Em Maio daquele ano chegou à diocese de Nampula, onde trabalhou na catequese e no ministério nas missões de Mueria, Cabaceira, Namahaca e Carapira.
O P. Giocondo foi «por pouco um mártir», escreve a irmã Flavia, visto que «em 1983 foi ferido gravemente. Uma noite, acabava de celebrar, quando entraram na capela alguns ladrões; um deles disparou sobre ele e uma bala atravessou-lhe o pescoço. O P. Giocondo caiu por terra num mar de sangue. O ladrão varreu a missão, depois, voltando à capela, pensando que estava morto, tirou-lhe o relógio do pulso e as sandálias, fez-lhe uma careta e foi-se embora. Ele não estava morto, mas fingiu que estava». Depois de ter sido socorrido por um confrade, o Ir. Silvano Bergamini, hoje residente na comunidade de Pádua, o P. Giocondo «ficou paralisado durante alguns meses, depois começou a mexer os dedos, aos poucos foi readquirindo os movimentos até voltar a andar, a escrever e a trabalhar. A bala, felizmente, não tinha lesado a medula espinal».
Um ano depois voltou para África e em 1988 foi transferido para a diocese da Beira, onde se dedicou ao trabalho pastoral nas paróquias de Buzi e Alto da Manga. Além disso foi-lhe confiada a tradução da Bíblia em língua local, o Cindau, que o empenhou no trabalho durante mais de cinco anos. De facto, além de falar muito bem o português, tinha aprendido as duas línguas locais, Cindau e Macua.
De 1999 a 2002, o P. Giocondo esteve empenhado no ministério na Beira, no Centro de Animação Missionária. Em 2008 foi a Roma para o Curso de Renovamento e no ano seguinte regressou a Moçambique.
«Passou os últimos anos no postulantado – lemos do testemunho no P. Jeremias – como director espiritual dos postulantes. Com a sua simplicidade de vida, o seu zelo apostólico e o espírito de oração e de serviço, era um exemplo para as novas gerações de missionários combonianos.
Quis permanecer até ao fim em Moçambique, apesar da sua saúde débil. Os missionários e os habitantes de Nampula, no Norte do país, onde fez a primeira experiência de missão, e também os da Beira, no Centro do país, recordam-no sempre como um missionário “original”. Tinha uma mente arguta, criativa e perspicaz. Era ajudado também por um bom sentido de humor que tornava simpática a sua peculiaridade, e o seu pouco esmero no vestir e apresentar-se. Sabia como sair-se bem nas situações difíceis graças, precisamente, à sua criatividade e engenhosidade. Se São Pedro houvera estar de mau humor no dia da sua chegada ao paraíso, o P. Giocondo terá encontrado uma forma de entrar sem São Pedro se aperceber!».
Faleceu em Matola, dia 9 de Março de 2021 por causa da Covid-19. Quinta-feira, dia 11 de Março, foi celebrado o funeral no cemitério de Michafutene. Para recordar o P. Giocondo terça-feira, 19 de Março, foi celebrada uma missa na igreja de Novoledo.